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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Minha chance ao erro

Algumas pessoas quase nunca erram, talvez por alguma facilidade genética ou por entender a vida, deixá-la mais prática, ou talvez pela compreensão por parte da outra pessoa. As vezes os erros não devem ser tão priorizados.
No meu caso, quase nunca acerto ou talvez os meus acertos não são tão evidenciados.
Lia um livro que dizia assim: "devemos também dedicar algumas horas do dia pra praticar o amor, disseminar o amor com as pessoas que estão ao nosso redor". Guardei a frase com carinho e logo comecei a praticar o amor com a minha duplicata, que pelo que a gente chegou à nossa própria conclusão, somos somente nós dois nesse mundo ou somos sozinhos.
A conversa, a vida, os livros, têm me feito pensar em como agir, em como acertar com a pessoa que acerta sempre comigo, em como me mudar pra fazer a vida mais prática pra mim e pra ela.
Logo aparece uma chance de acerto, os pensamentos, a vida, os livros, todos na cabeça em um momento rápido e incerto, não me geram a resposta certa. A conclusão vem tão rápida quanto a conversa mal formulada.
O pensamento pós conversa me dá uma nova visão, um arrependimento momentâneo, tento me dar uma nova chance de acertar, entendo, procuro, insisto, mas cinco minutos são o suficiente pra uma pessoa prática por na roda da vida várias ações práticas pra dar logo uma resolução ao problema.
Logo eu deixei de acertar, por não ter na manga a resposta certa ou por não tido a chance de acertar.

O conhecimento leva tempo
A prática é a forma ativa aprimorada de quem já tem o conhecimento
A prática não dá tempo, tira a chance de acerto de quem ainda não tem o conhecimento.
Quem não dá chance ao erro, não acerta
O jeito é esperar pela compreensão.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O amor é egoísta, a liberdade solitária.

Tento repreender essa dor estranha, essa azia da alma, o vômito involuntário.
Tenho feito tudo certo, me alimentado melhor, praticado exercícios, estudado mais, amado, sonhado.
Ando até fazendo coisas que nunca pensei em fazer mas com uma certeza que chega a ser maior que minhas recentes desistências. É tentador esse desejo de se tornar homem, de tomar responsabilidade de fazer as coisas certas, mas tentador também é a vontade de voltar. O medo de ser um objeto estranho em certos locais tem me afastado de muita coisa, inclusive do passado que sempre andou tão próximo de mim, o futuro que agora parece mais próximo também tem me mostrado alguns estados árduos do novo, assim como solidões desconhecidas. Meu desejo maior é não parecer egoísta, mas ao mesmo tempo tem sido algo impossível. Minhas tentativas de ser maduro tem ido por água à baixo abraçadas aos amores com minha inspiração, estou do jeito mais metafórico e lindo no meio do olho do furação, na calmaria, onde nada acontece, nada muda, nada atinge, nada volta, mas com a tormenta muito próxima.
Minhas decisões tem caráter e cicatrizes eternas, eu sei, mas os papos a dois ainda parecem ótimos, pelo menos parecem. Toda aquela idéia de liberdade, aquela vida nova que me propus no inicio do ano foi enterrada pela realidade da minha vida e por um amor sincero que veio pra me colocar os pés no chão, ou melhor, abaixo dele, porquê é aqui que me protejo desse furação, nesse abrigo, que ao mesmo tempo me causa essa azia, o vômito involuntário. Então toda a minha segurança, todas minhas certezas e vontades, inclusive meu desapego (que parecia ser uma característica tão forte) também se foram.
O agora é uma idéia insólita, que na verdade queria ser uma árvore de raízes muito fortes, capaz de ter paciência, saber ser sozinho, manter o vínculo com essa profundidade do abrigo, manter outra parte no céu que materializa inspiração, pássaros e cores. Queria também passar, não ileso, mas vivo e forte por essa tormenta que parece tão próxima.
A verdade é essa: as árvores sabem ser felizes.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sai de mim o que ganhamos do mundo

Eu canto em versos a felicidade
Do amor que transborda de mim para o mundo.
Você me questiona se amo um louco que conheci há dois dias
Respondo sim, eu amo, o amor não deve ser guardado
O amor tem que ser jorrado assim como um abraço suado
Uma risada corpo a corpo, as diferenças do coito.
O amor não deve ser limitado, nem julgado, nem esperado
Tem que ser livre como animal, prepotente como o capital.
O amor que eu espalho é pouco, vem de mim, insignificante
Mas te causa a saudade, a espera, a verdade pra nós.
O amor recebido me faz querer mais e mais loucos
Mais planos, mais vida, mais sorrisos.
No nosso tempo é difícil falar de perdão, o erro está frio
Porquê se ainda sim o erro fosse sensibilizado
Haveria espaço pro amor mostrar o caminho certo
Acredito na sensibilidade e acredito no povo
Pra que haja espaço pro amor acreditar, pro amor sonho,
Pro amor arte, pro amor vida, pro amor sincero, pro amor sorriso
Pro amor abraço, beijo, corpo, lágrima, leite, suor
Pro amor nos olhos, aquele que a gente vê em todo ser vivo
Eu acredito no amor que eu dou de graça
Que mesmo que eu não cobre, recebo de volta de quem ama como eu
Está tudo nos gestos do amor, não adianta virem com aquelas caras feias,
E mesmo que tentem, no amor já me tens,
Lhes responderei todo pomposo com um sorriso.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As Artérias

O tempo passa e as pessoas acabam esquecendo das coisas mais simples.
Ando calado e superficial por causa das complicações das coisas simples, as pessoas andam tão inseguras, frágeis, ansiosas, agressivas.
Chega um ponto que nada mais precisa ser dito, ou explicado, sobre a vida sobre o amor por exemplo.
Não há mais o que se falar sobre o amor, não tem que se explicar, mas anda tão difícil fechar os olhos e lembrar da pureza só de sentir que a necessidade da prova vence o o abraço.
Não consigo nem mesmo concluir o que escrever, nem mesmo me expressar, não consigo mais acompanhar o ritmo de como eu queria que a minha escrita funcionasse.
Tem muita sujeira presa nos encanamentos do sentir.
As palavras tomaram um espaço onde elas não cabiam, e a prisão do sentir impediu o fluxo das palavras e tudo que conseguimos foi perder os dois.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Visita

De repente alguém bate na porta, ele que raramente tinha algum momento de sossego ou coisas normais acontecendo em sua vida, simplesmente abriu.
_ Ei, resolvi fazer um visita surpresa e convidei algumas pessoas.
_ Logo hoje Tristeza? Já tivemos algumas conversas sobre suas visitas e pelo rumo que a conversa levou pensei que não voltaria tão cedo.
_ Pois é, mas é que bateu uma saudade repentina de você, mesmo ficando ofendida com o que você disse da outra vez e toda aquela bajulação que você fez pra aquela metida da Felicidade eu senti sua falta. Foi isso.
_ Mas é que eu estava tão bem do jeito que estava. Você não quer mesmo desistir dessa visita?
_ Não querido, como já te disse tomei a permissão e me senti no direito de fazer alguns convites, viemos de longe e precisamos de um lugar pra ficar.
_ E pra quem foram esses convites?
_ Pra Confusão, pra Agonia e pro Tempo.
_ Justo eles Tristeza? Não se encontrou com a Inspiração? Vocês costumavam andar tão juntinhas. E a Ilusão? Não a viu em nenhum boteco por aí? Talvez a Fuga, queria tanto conhece-la Tristeza, mas você me coloca em cada uma!
_ Querido, não me veja mal assim, eu e a Inspiração tivemos uma discussão e tem tempos que não a vejo. Ouvi dizer que a Ilusão se perdeu ou está se tratando em algum lugar. E a Fuga meu querido, eu e ela também nunca nos conhecemos ela tem é um bom vínculo com sua amiguinha Felicidade. Voltando ao assunto eles devem estar por chegar. A Confusão e a Agonia devem ficar por aqui, já o tempo disse que viria só de passagem e que passaria rápido.
_ Ótimas intenções do Tempo. Pena que em nada vai me ajudar. Torço pra que todos sejam assassinados antes de chegar nesse bairro violento.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Acaba que todo mundo escreve sobre o seu próprio lado mesmo

Já deixei muito de escrever porquê o assunto ou algo que eu ia falar poderia machucar ou ir contra alguém que amo, cansei. Acaba que todo mundo escreve sobre o seu próprio lado mesmo. O que eu realmente queria reclamar aqui não é sobre o que os outros escrevem ou falam ou de que lado estão, mas sim sobre como perdemos tempo e deixamos de amar. É isso mesmo, a pressa anda tanta e mesmo assim todo mundo perde esse precioso tempo com coisas que não valem nem um pouco a pena, preocupam-se com tudo, quando digo tudo é tudo mesmo, menos em amar. É uma tal insegurança que anda tomando quase todo mundo que convivo, uma insegurança de ser esquecido, de estar fazendo a cosia errada, de estar sendo mal interpretado, de estar sendo excluído, se preocupam tanto com isso que esquecem que são amados ou até que amam essas pessoas com quem se preocupam. Eu culpo o apego, não me livro dessa não, todo mundo se apega a alguém de uma forma ou de outra, mas tem um tipo de apego que não é saudável e esse tipo de apego é que deixa as pessoas cegas, cegas no sentindo de não enxergar coisas mínimas e belas, como um sorriso quando estamos juntos, ou uma foto sua que tá ali pra todo mundo ver, ou um carinho, um abraço espontâneo, coisas que pra mim (já que estou aqui pra falar do meu lado mesmo) fazem muita diferença e é o que realmente importa, ao meu ver, em uma relação que eu considero verdadeira. Vale lembrar que não estou obrigando ninguém a concordar com nada do que estou dizendo e que estou aqui, como todo mundo, pra falar do meu lado. E já que estou aqui pra isso, continuo, a maioria das vezes quando não concordo com algo, reajo de tal forma que isso fiquei bem claro, não vou dizer aqui que sou do tipo que olho na sua cara e falo tudo o que eu penso, porquê eu não sou assim, mas eu sou bem claro. Não vou dizer também que sou a melhor pessoa e mais segura porquê também sei que não sou, ninguém é, o ponto é que não deixo amar e prefiro sentir que os outros também não deixaram, não quero deixar de ver amor nas coisas singelas, coisas que eu posso até não ver na hora, mas que reconheço depois. Está todo mundo muito confortável a ver amor somente nas próprias ideias do que é o amor, se esquecem de notar que há outras formas e ideias de amor e pra cada pessoa isso é de um jeito. Tem gente que se mostra numa canção, alguns em textos, outros em artes visuais, outros em empenho, num sorriso, num abraço, na raridade dos atos, na sensibilidade, numa infinidade de modos e tem até alguns que conseguem em muitos deles ao mesmo tempo, mas cada um da sua forma, da sua maneira de se fazer notar. Torço pra que percamos mesmo muito tempo tentando procurar a forma de "mostrar o amor" de cada um e deixemos o que não vale a pena de lado. Como disse desde o início estou aqui pra falar do meu lado e sinceramente, do lado que eu venho defender só há uma certeza:
Eu amo, amo muito e sei que cada um sabe por si o quanto eu amo, cada um.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Falo, escrevo do geito que eu querê

E vai si fudê quem vim falar merda
Qui qui qui portuguêis bunitin mané scambal
Ain que o portugês é uma lingua rica, lingua linda
Vai toma no cú, no cú com assento e assento com dois eçe mesmo
Até onde eu intendo o homem dezenvouveu a escrita para rejistrar o que é falado
Até onde eu intendo se a escrita foi feita pra isso
Porquê raio que esse portugês não çegue esse padrão?
É jota é Gê é dois eçe e Cêçidilha o inferno de coisa que a gente tem q decorar
É eme antes de pê e bê, é eçe erre depois de ene e a tem uns que nem é
Daih acuzam o indivídu de ser burro
Burro é quem fica perdenu tempo tentando intendê!
Intendeu o que eu falei?
Não? É açim que eu me cinto!
Fue!

domingo, 11 de setembro de 2011

Tédio

Essa semana me questionei sobre meu tempo, sobre como eu uso e aproveito meu tempo.
Cheguei a conclusão que não faço bom uso, que quase não vejo o dia e que deveria mudar.
Hoje eu acordei cinco horas mais cedo do que de costume, certo de que iria aproveitar muito bem o meu tempo.
Hoje cheguei a outra conclusão, tinha ficado no estado anterior para evitar o tédio, o raio desse tédio que to sentindo hoje por causa da minha maldita decisão.
Ô vidinha viu?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Tempos estranhos

A poeira e os pelos continuam ali parados no canto da parede
A bruma cinza que entra junto com o vento pela porta do quintal
Luz do sol que quase já não conhece esses olhos
Embriaga na tentativa de ver um pouco de cor
No que era pra ser bonito, histórico, vê-se lixo, preto, cinza de todas as cores
Antes não fosse lixo e fosse nada, antes nada a ser pior
O tempo é cinza e frio, talvez o inferno fosse mais plástico, inspirador
Os abraços andam breves e obrigatórios
As falas, os carinhos, os sorrisos, tudo isso ta camuflado
Parece que tudo espera seu momento de insensatez
Penso e chego a conclusão que cada um deve ficar um tempo só
Talvez tenhamos esquecidos de como viver com o normal
Sabemos muito bem como lidar com a crise e o ápice
E o medíocre que era pra ser a melhor solução agora é só medíocre
Até a professora nova é cinza, as linhas do caderno são cinza
A cinza do cinzeiro é cinza e pó
E pó é a única coisa que anda restando dos dias atrás
Será que andei dando passos longos demais e pisei em alguns calos?
Meu pé antes machucado pela falha no fundo do meu sapato agora se cansou
Está tão cinza quanto o pó, o tempo, os abraços, o cinzeiros, a mediocridade
Meus cabelos sempre tiveram um tom acinzentado
Minha barba é um pouco mais escura
Mas o tempo faz isso tudo ficar cinza
E quando tudo for cinza, não teremos mais histórias pra colorir
Fecho(e) agora esses olhos sujos, antes que arda.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Conto de um não é

Ele tinha um interesse, montou um Personagem, planejou e escreveu sua peça. Na sua peça ele inseriu outros papeis, encontrou os atores e os convenceu a participar.
Mostrou-se sempre com suas máscaras, todos os outros atores conheceram seu Personagem, mas cada um conhecia apenas uma máscara.
Cada ator sentiu-se à vontade para viver na peça, participar da peça, aceitar o Personagem, porém depois de um tempo a peça começou a ficar confusa e mentirosa, os atores não viam o Personagem da mesma forma pois as máscaras não combinavam, os vários Personagens do Personagem não combinavam.
Até que um dia um ator resolveu mudar seu roteiro, os outros entenderam e também mudaram seus roteiros. O Personagem que era múltiplo demais para entender a verdade dos outros papéis começou a revelar máscaras diferentes a cada dia, até que um dia elas se esgotaram.
Ele então apareceu como ele mesmo, eles, os atores, entenderam então a peça e que esse era o momento exato para o final.
Era dele, do Personagem, a chance de sair da atuação e ser real.
Nesse momento era dele, do Personagem, também a escolha e foi dele, nesse momento em que conheceu a realidade, a decisão de escolher outro interesse.
Criou um Personagem, planejou e escreveu outra peça.
Agora escolhe à dedo, seus atores e suas máscaras.

sábado, 13 de agosto de 2011

Profeta

Tenho saudade do seu abraço apertado, que por causa da sua altura, sempre quando o faz repousa a cabeça sobre meu ombro.
Tenho saudade de conversar com você e do seu jeito de dizer:
_ Por quê você ta esquentando com isso?
Fico querendo ver o seu sorriso, ouvir a sua voz forte e os seus conselhos.
Estou com saudade de ver seus olhos apertados por um sorriso e dos momentos de silêncio.
Queria ir para a sua casa, tomar café, ficar o dia inteiro com preguiça e mesmo assim sempre aprendendo ou discutindo alguma coisa.
Que saudade dos nossos segredos, dos momentos de calmaria e da trégua da minha gastrite que não dói perto do seu silêncio.
O cheiro do seu cabelo as vezes entra no meu quarto e isso me faz lembrar dos momentos de carinho, mato a saudade acariciando meus próprios cachos.
As pessoas falam comigo de você e vêem você em mim assim como me vêem em você e acaba que por não parecermos, somos muito parecidos e são nesses dias de desencontro comigo mesmo que fico querendo me encontrar em você.
Tenho tanta saudade do abraço apertado que me abraço sozinho, aperto minha cabeça contra o ombro e ocasionalmente sinto seu cheiro.
Profeta de nós dois, espero com humildade o dia que terei a sua maturidade.
Lembre-se de mim com um sorriso.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Silêncio e o Eco

Não queria de novo vir falar da quietude do silêncio, desde o dia que aprendi a entender e sentir a importância do silêncio tem mudado muita coisa.
Aprendi a ouvir meus próprios apelos e como lidar com eles, ele hoje me fala muito o que eu me diria, mas como é uma resposta, materializa para mim o que eu deveria ouvir.
O silêncio me ouve muito bem e agora conversa comigo, me ajuda e precisa de mim assim como preciso dele.
Aprendi que ele pode me abraçar, que eu gosto muito desse abraço e que ele sente muito tudo a sua volta pois não perde tempo com todo esse barulho.
O silêncio quando fala é em eco, mas o eco do silêncio tem o seu charme, uma coisa muito singular e bonita que me faz ouvir e aprender.
O silêncio que eu amo, me ama, me supre e me faz sentir saudade. Ele nem deveria ser chamado de silêncio, pois a música que sai dele me faz deseja ser dele um eco eterno, do meu jeito, para que assim ele me admirasse tanto quanto eu o admiro e me calo para ouvir.
O silêncio que eu conheci, senti e amo deveria cantar pra sempre e o eco deveria ser seu músico, para todo mundo dançar, cantar e para a felicidade ser um abraço sem fim.

domingo, 7 de agosto de 2011

Sobre o que não escrevi nem li.

Vez ou outra invejo alguns textos e acredito que tinham que ter sido escritos por mim.
Outras vezes desacredito na minha própria capacidade de escrever qualquer coisa que me agrade ou me agrida. Quase sempre quero que minhas próprias palavras tomem espaço no meu dia-a-dia, me pego querendo olhar pra mim mesmo e dizer o que digo por aí, querendo me provar que posso ser meu amigo. Quase sempre me mergulho em textos que não são meus e que vivem me descrevendo ou falando o que eu queria dizer pra dentro ou pro mundo.
Dou passos pra frente e me deparo com figuras do passado que já abandonei a tanto tempo, algumas são memórias risíveis, outras não. Tais figuras escapam atrevidas da sala que as tranco, a fresta por baixo da porta não é grande mas é o suficiente para as mais atrevidas se arriscarem a me encontrar pelas ruelas do meu pensamento.
Tem dias que a auto-destruição insiste em prevalecer os carinhos externos, dias que a vergonha do erro é muito mais forte do que os convites carinhosos para o sorriso. Na maioria das vezes esses dias são responsáveis por eu não escrever e me prender em ver figuras, algumas risíveis, outras não.
A questão é somente em como transformar esses dias em texto, transformar meu texto em leitura, leitura em auto-amizade, meu "eu amigo" em figura travessa, para que por fim essa figura tome espaço do meu pensamento e me evite esses dias de não-auto-amor-inspiração.

sábado, 16 de julho de 2011

A fonte

Pegou as ultimas palavras que encontrou no labirinto, agarrou-as debaixo do braço direito, com a mão esquerda ainda segurava o barbante. No escuro e sem lua não conseguia ver pra onde ela voara. Meio cabisbaixo se pôs a tatear o barbante, sabia que se voltasse da posição onde estava uns vinte passos voltaria para a fonte.
Fonte essa que, quando havia abundância de palavras no labirinto, criava os mais belos contos, poemas, textos. Era muito simples, bastava jogar as palavras que tinha em mãos e sentir alguma coisa, a água da fonte misturava tudo com muita delicadeza para sua criação.
Quando chegou na fonte percebera que a água havia secado, então entendera porquê não podia mais vê-la voando. Colocou-se a rodear a fonte e ali num cantinho encontrou o ultimo vestígio de água. Pegou aquela preciosidade com suas duas mãos juntas, jogou sobre as palavras que estavam agrupadas em um buraco na estrada de pedras do labirinto. Olhou as palavras se moverem, tomando cada uma seu lugar e decorou com muito carinho o texto.
Mais tarde sairia do labirinto, com um certo sentimento muito complicado de se explicar, dor misturada com felicidade de saber que nunca a perderia, triste e aliviado de saber que ela não mais sofreria.
Guardou o texto pra si e este ninguém nunca vai ler, talvez não leiam nada mais do que este aqui.
[Ou não.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ansiedade

Entrou mais uma vez naquele ônibus e rezou para que ele fosse o mais rápido possível, sem imprevistos. Comprou água, bebeu a água, em toda parada desceu pra fumar um cigarro, tentou se distrair com a paisagem, tentou se distrair com os bebês ali, tentou ler alguma coisa e descobriu que a água que bebia era levemente radioativa, teve medo de morrer antes de chegar, comeu as unhas da mão esquerda, tirou a blusa, vestiu a blusa, mexeu no cabelo, arrumou o cabelo, o tempo não passou e acabou que ele dormiu.
Sonhou com o encontro e que veria ela assim que chegasse, sonhou que ela estava também tão ansiosa quanto ele, sonhou com tudo diferente, o mundo tinha cores diferentes, tentou sair do sonho e não conseguiu, teve medo de ser um pesadelo, mas como não conseguia acordar se deixou levar, seu corpo deu um grande baque, acordou assustado e quando abriu os olhos viu as vendas de artesanato e a sequência de lombadas, havia chegado.
Saiu da rodoviária correndo com duas malas enormes, um de seus cadarços desamarrou, parou amarrou o cadarço e voltou a correr, agora era sua calça que entrava de baixo do tênis, parou dobrou a calça, voltou a correr, umas das malas virou e caiu, pegou a mala e voltou a correr, quando estava atravessando o semáforo o outro cadarço desamarrou, parou e amarrou, voltou a correr, no morro não dava, quase chorou, estava cansado, mas não desistiu.
Chegou em casa pegou a chave na vizinha e entrou, finalmente estava em casa, ia poder falar com ela, logo! Ligou o computador, mas ele nunca ajuda, abriu a casa, entrou na Internet, viu ela online, quando foi falar com ela, ela estava no banho.
Espere.

O resto eu ainda não sei, é sério.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tríplice

E acabou que descobri no silêncio palavras que me confortaram
Que me colocaram os pés no chão e que me deram luz
Foi você que trouxe hoje a calma que aos poucos encontro
Tenho certeza agora da pessoa que eu sempre soube que você é
Mas que se escondia involuntariamente
Tenho certeza agora do pra sempre e da confiança
Certeza também da incapacidade de gratificá-lo
Tenho agora mais um pilar de apoio e que eu espero nunca derrubar
Tenho o carinho e o cuidado como que com uma única flor
Também tenho certeza que cumpriremos a promessa
E que a tríplice união, mostra de sentimentos de cada um
Não se repartirá, nem afastará
E que o pra sempre agora é algo muito próximo e alcançável
Com a força que eu sinto agora
Dessa união inexorável

Pensava

Chega um ponto na vida quando se completa uma certa idade, que você pensa que nada mais vai te atingir, ou que você não passará por uma ou outra coisa que viveu há muitos anos atrás e na época você disse "Isso não acontece de novo comigo!" e de repente você está vivendo uma situação igual aquela.
Eu já me propus isso várias vezes, de não repetir certas situações na minha vida, já fiquei sozinho, já cai e levantei, mas pela primeira vez na vida tive certeza de que se tudo isso acontecesse valeria a pena. Mesmo sabendo de todos os riscos eu segui em frente e pode acreditar foi a melhor coisa que me aconteceu.
Aprendi com isso tudo que o medo realmente não nos leva a a nada, e que a dor é inevitável de uma forma ou de outra, independente de quanto ela ainda vai durar. Não importa, o que vale realmente na vida é não sentir a dor de não ter tentando.
Sou mais feliz hoje, talvez um pouco mais triste também, mas essa felicidade, diferente dessa tristeza, é permanente e não há nada que tire isso de mim.
A satisfação de ter mesmo tomado uma decisão certa no início sem me preocupar com o fim, foi o que me fez sentir que a vida é doce nos riscos e amarga na espera.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Obrigado.

Eu sei o que estou sentindo, estou sentindo exatamente o que eu não queria.
A culpa é minha, a dor de cabeça é minha e o coração é meu. É muito gostoso sentir a resposta generosa das pessoas, é muito bom sentir e ler as coisas que te decifram, de quem está por perto ou não. É bom saber que me colocam nesse grupo mas eu não estou.
Não me encontro em grupo algum e sei muito bem que não vou me encontrar, agradeço de coração a todos que participaram desses momentos agradáveis durante os últimos meses, o do baixo, o quieto, o das refeições, a dançarina, o boleiro, a menina, o batuqueiro e a coisinha. Agradeço a todos vocês por tudo que passou e por tudo que há de vir. Peço desculpas pelas discussões e teimosias, pela estranheza, bravezas, chatices, velhices, imaturidades e falta de coragem. Quero ainda pedir que não se afastem e deixar bem claro que amo a todos como a mim mesmo e não sei dizer se é muito, mas é verdadeiro.
E por pura incompetência e talvez seja melhor assim, sim é uma decisão, dos nove o do cabelo é o primeiro a sair, sem tristezas sem mágoas, gosto de cada um, amo cada um, mas não faço parte do todo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quero uma dose de utopia

Fomos confinados todos em uma caixa. Manipulam todos os nossos passos, não nos seguem porquê não precisam fazer isso, não precisam saber o que estamos fazendo ou deixando de fazer, mas tudo a nossa volta conspira para a manutenção desta caixa. Estamos todos presos aos nossos computadores super potentes, nossas roupas novas, óculos, séries, programas, músicas, estamos presos até ao que comemos ou como comemos, tudo nos destrói e isso já era previsto para que tenhamos que voltar de novo para a caixa e nos tratar. Isso tudo vocês já estão cansados de ler, ver, ouvir por aí.
A questão é que mesmo os poucos que ainda mantém algumas certas peculiaridades do tipo, amizades, conversas, leituras, paixões verdadeiras, amores, se prenderam em um círculo e dificilmente conseguem sair disso. Não conseguimos criar coisas novas, não existem mais ideias. Não movemos um dedo pra mudar as coisas a nossa volta. Continuamos dentro da caixa e nossa única e principal missão é preocuparmos sempre com nós mesmos. Não faremos nada de novo, continuaremos preocupados em mudar as cosias a nossa volta para nosso próprio benefício. Quero ser sincero nesse texto e dizer que cansei da mesmisse.
Tenho saudade das utopias, porque esquecemos de sonhar? Ultimamente tenho voltado a sonhar, dormindo e acordado. Mas até os meus sonhos estão presos na caixa. Não rompo barreiras, a realidade talvez tenha me mostrado inutilidade na minhas antigas utopias e agora o que sobrou são somente sonhos iguais, iguais a tudo que eu vejo por ai. Vergonha, acho que esse é o sentimento geral dentro da caixa, mas o que todo mundo faz é esconder, ninguém se preocupa mais com esse sentimento que por muito tempo serviu para engrandecer o homem, ao contrário do que muitos dizem por aí gosto da vergonha porquê a vergonha é a prova pra si próprio de algo que esteve errado no passado e até isso nós aprisionamos. Existem modelos de caixa em tudo que a gente vive, deixamos que a caixa da sociedade passasse para dentro das casas, para dentro das relações e agora pra dentro de nós mesmos.
É tão difícil conversar hoje em dia, é porquê temos vergonha das vergonhas que sentimos e que aprisionamos. É tão difícil amar hoje em dia, porquê tudo é um problema, porquê tudo é frio e sistemático. É tão difícil ajudar hoje em dia porquê é tão grotesco que temos medo de destruir a frágil estrutura de vidro das nossas própria vidas.
Quero que venham quebrar a minha estrutura, preciso de ajuda e sei que não vou conseguir sozinho, quero continuar sonhando e agradecer a quem tem me ajudado tanto nesse objetivo. Quero minhas utopias só pra não me sentir tão preso nessa realidade agressiva, rir mais das coisas de verdade, amar mais as coisas de verdade. Quero pessoas de verdade. Sinto tanta coisa boa das coisas de antes ainda próximo de mim, mas tem tanta coisa que não tem mais, e o pior é que a culpa é minha também. Quero pegar as coisas boas que ainda restam e transformar em realidade concreta.
Alguém se dispõe a me dar a mão nessa viagem?

sábado, 25 de junho de 2011

La Jalousie

Entender o que é talvez o mais velho dos sentimentos
Que é instintivo e se encontra em qualquer animal
Assim que me sinto quando ele vem a tona
Um animal, que deveras sou, mas que sociologicamente devo negar
Negar que carrego em minha mente esse sentimento de proteção
E que realmente não queria ter, ou ao menos poder controlá-lo
Esse sentimento que quanto ativado gera
Apertos no coração, azia e ativação de gastrite
Pra quê ter isso se no final nem posso por pra fora?
Um sentimento que não me trás beneficio algum
Trás tristeza e algumas dores realmente físicas
Um sentimento que alguns entendem como falta de maturidade
Outros o tem de forma doentia
E outro cometem até loucuras.
Quero deixar de ser animal,
Pra ser só o que eu quiser.