domingo, 7 de agosto de 2011

Sobre o que não escrevi nem li.

Vez ou outra invejo alguns textos e acredito que tinham que ter sido escritos por mim.
Outras vezes desacredito na minha própria capacidade de escrever qualquer coisa que me agrade ou me agrida. Quase sempre quero que minhas próprias palavras tomem espaço no meu dia-a-dia, me pego querendo olhar pra mim mesmo e dizer o que digo por aí, querendo me provar que posso ser meu amigo. Quase sempre me mergulho em textos que não são meus e que vivem me descrevendo ou falando o que eu queria dizer pra dentro ou pro mundo.
Dou passos pra frente e me deparo com figuras do passado que já abandonei a tanto tempo, algumas são memórias risíveis, outras não. Tais figuras escapam atrevidas da sala que as tranco, a fresta por baixo da porta não é grande mas é o suficiente para as mais atrevidas se arriscarem a me encontrar pelas ruelas do meu pensamento.
Tem dias que a auto-destruição insiste em prevalecer os carinhos externos, dias que a vergonha do erro é muito mais forte do que os convites carinhosos para o sorriso. Na maioria das vezes esses dias são responsáveis por eu não escrever e me prender em ver figuras, algumas risíveis, outras não.
A questão é somente em como transformar esses dias em texto, transformar meu texto em leitura, leitura em auto-amizade, meu "eu amigo" em figura travessa, para que por fim essa figura tome espaço do meu pensamento e me evite esses dias de não-auto-amor-inspiração.

5 comentários:

  1. Em auto leitura não posso dizer, mas em leitura alheia, posso afirmar q tem transformado suas "figuras" em textos que comunicam com as figuras dentro do outro.

    Comunhão.

    ResponderExcluir
  2. é o segundo texto que encheu meus olhos de lágrimas só hoje. PARABÉNS PE, MUITO LINDO

    ResponderExcluir
  3. Muuuito bacana... Li 3 vezes.

    ResponderExcluir
  4. engraçado o modo como você brinca com as palavras... a maneira como se lê me descrevendo.
    isso me lembrou uma conversa nossa, de muito atrás, em que falávamos de mesmo 'nível' de almas. acho que é mais ou menos isso...
    e tenho um orgulho danado desse achismo meu.rs
    'quando crescer, quero ser como você.'

    ResponderExcluir