terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Calor

No começo foi palavra
Pra lavrar apelidos e calor
Torturas e saudade
Passou o tempo e continuou
Palavra
virou poesia
Calor
não desfazia
juntava, colava, suava
E eis que fogo encantado
Cantava
e no meio da dança
Chovia
No meio da chuva
Sussurrava
Poesia
Que escreveram
Na pele, depois na carne
Depois na alma
Apagaram
Pra palavra a palavra
escreverem
e apagar de novo
na pele a gelo e chuva

terça-feira, 11 de novembro de 2014

De hoje

Às vezes fico achando que a vida é longa
Justificativa pra adiar novos vôos
Tem vez que necessito novas asas
E acabo investindo no pouso
Parece que a alma do chão me tem
E nesse tempo arrastado
Procrastinado, a vontade não vem
Bem, assim me parece certo
Mas se penso no processo
Me falta ainda muita chuva
Acaba que nessa vontade de chão
Na realidade de fel
Me encontro em tempo de sono
E sonho é mesmo com céu.

sábado, 31 de maio de 2014

A Bailarina e o Verme (e) Eu

E eis que hei de usar o momento
Por quê não o usaria?
Pois se é agora que a bailarina dos pensamentos
Ousou vestir suas sapatilhas
E correr no submundo escuro e abandonado
Que aos cacos vem guardado em um outro subespaço em mim

Mas de fato fui flechado
E o que era adrenalina, agora é dor
O que era um filme bom, agora é crédito
E a doença que me come não tem remédio
Nem mesmo sei se lhe dou razão
Pois me foge a certeza
Se dói no estômago
Ou no coração