Assiste aos rolos digitalizados
Que não mais rodam
São agora dados
Cubos
No peito outro quadrado
Não se encaixa
Sem esquadros
Perco a palavra, e
Mudo
Metamorfose de um calado
Que quase tem
Mas quis mais, e teve
Tudo
E os desenhos e sonhos
Que rasgaram o tempo
Triste ficaram
Surdos
Não ouviram o alerta das coisas
Escorregaram na cera de Ícaro
E após meses de queda
[Do abismo restou]
Escuro
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
domingo, 18 de janeiro de 2015
Dores de figueira
_ Onde vais?
_ Vou visitar alguns planetas...
Rosa sabia que poderia não ter volta,
Mesmo assim se calou diante daquela frase cheia de súplicas e incertezas.
Príncipe guardou o coração dentro de uma meia, depois no baú
Tomou a poção verde-sol, que lhe transformara em uma árvore
Mais precisamente um ent, dado que se movia
No planeta dos baobás foi acometido por uma semente de figueira
Sentia que aquelas pequenas raízes sugavam sua força, mas nada podia fazer
Sabia que em alguma noite qualquer
Aquelas raízes iriam prendê-lo em algum lugar
Aquelas raízes iriam prendê-lo em algum lugar
De alguma forma ou outra, iriam lhe matar
Príncipe ainda viaja com cheiro de Rosa nas folhas
Gosto de Rosa na boca
Sonha com o dia em que seu orvalho toque aquelas pétalas vermelhas
Que teve que apertar na redoma já pequena.
Sonha com o abraço e com espinhos
Que cravados em si, passam a fazer parte,
Transformam árvore e flor em um só.
Curam dores de figueira.
domingo, 11 de janeiro de 2015
Cheiro de janta
As palavras nem foram postas sobre a mesa
Nem mesmo as belisquei na cozinha
Ainda sim borbulham no estômago
Arrisco um, ou outro vômito
Inútil, as vontades são delas não minha
Sai algo como um arroto
E pela garganta sobe um gosto de pele
Nem mesmo as belisquei na cozinha
Ainda sim borbulham no estômago
Arrisco um, ou outro vômito
Inútil, as vontades são delas não minha
Sai algo como um arroto
E pela garganta sobe um gosto de pele
Essa mesma descola de minhas costas
Não pediram licença
Muito menos se despi(di)ram
Sem nenhum afeto ou pudor
Sem saber porquê
Foge do meu corpo todo calor
Não pediram licença
Muito menos se despi(di)ram
Sem nenhum afeto ou pudor
Sem saber porquê
Foge do meu corpo todo calor
Não precisou ser dito nada
Na verdade nem sei
Só sei que os desenhos são escuros
E em plena queda no abismo
O sol resolveu se pôr atrás de nuvens
Carregadas
E sem ser dito nada
[talvez por isso
Continuo em queda livre
Sem perspectiva de ser vapor
Nem de cair na água
Na verdade nem sei
Só sei que os desenhos são escuros
E em plena queda no abismo
O sol resolveu se pôr atrás de nuvens
Carregadas
E sem ser dito nada
[talvez por isso
Continuo em queda livre
Sem perspectiva de ser vapor
Nem de cair na água
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