quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Estou há dias sentado aqui na beirada do décimo quinto andar desse prédio.
Não pulo, não desço, não choro, não rio, não como, não bebo, não voo.
Aquela pombinha de olhos azuis já cagou em mim.
E aquela outra nuvem ali, tá vendo? Aquela mais pra esquerda.
Já choveu granizo em mim.
Aquele mesmo sol de quando eu cheguei aqui já me queimou três vezes.
Tem dois urubus ali em cima
No dia que eu cheguei deviam estar uns cem metros mais altos
Voavam em círculo, e agora também.
Aquele mesmo avião
Já deixou aquele rastro ali naquele mesmo lugar do céu quatro vezes.
A moça do décimo sétimo do outro prédio
Já veio ver se eu ainda estava aqui duas vezes
E não manifestou nenhum afeto, nem preocupação, nem alegria
Talvez ela esteja como eu, parada, só que andando.
Eu estou há dias menos dias sentado aqui na beirada do décimo quinto.
Não pulo, não desço, não como, não rio, não voo, não choro, não bebo.
Eu fumava, mas têm duas horas que acabou o cigarro.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Benjamim
Estamos parados
Olhamos todos juntos
Vivendo o exato momento
Que o tigre já pulou
Está no ar
Garras armadas
Prontas pra nos capturar

É tão grande o rio
Dentro de mim
Que me sinto
Vazio

Rio
De tudo que passa
Choro
De tudo que fico

Medo

Aquilo
Que te (im)pede

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Vida
No seu seio me acalento
Mas se movia
No seu sonho me invento
Mas se esquecia
Que no momento
Tenso, singular, inverso do tempo
Penso
Que na sua boca me afogo
Morro
E morrer não traz sossego
Esquecer não tira o medo
O paralelo que se cruza no infinito
É a vontade e a esperança
Que de tão longe, o tempo
Faz da vida um sonho
Que não se esquece

Fica na lembrança

Mas que nunca se realiza