Estou há dias sentado aqui na beirada do décimo quinto andar desse prédio.
Não pulo, não desço, não choro, não rio, não como, não bebo, não voo.
Aquela pombinha de olhos azuis já cagou em mim.
E aquela outra nuvem ali, tá vendo? Aquela mais pra esquerda.
Já choveu granizo em mim.
Aquele mesmo sol de quando eu cheguei aqui já me queimou três vezes.
Tem dois urubus ali em cima
No dia que eu cheguei deviam estar uns cem metros mais altos
Voavam em círculo, e agora também.
Aquele mesmo avião
Já deixou aquele rastro ali naquele mesmo lugar do céu quatro vezes.
A moça do décimo sétimo do outro prédio
Já veio ver se eu ainda estava aqui duas vezes
E não manifestou nenhum afeto, nem preocupação, nem alegria
Talvez ela esteja como eu, parada, só que andando.
Eu estou há dias menos dias sentado aqui na beirada do décimo quinto.
Não pulo, não desço, não como, não rio, não voo, não choro, não bebo.
Eu fumava, mas têm duas horas que acabou o cigarro.
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Vida
No seu seio me acalento
Mas se movia
No seu sonho me invento
Mas se esquecia
Que no momento
Tenso, singular, inverso do tempo
Penso
Que na sua boca me afogo
Morro
E morrer não traz sossego
Esquecer não tira o medo
O paralelo que se cruza no infinito
É a vontade e a esperança
Que de tão longe, o tempo
Faz da vida um sonho
Que não se esquece
Fica na lembrança
No seu seio me acalento
Mas se movia
No seu sonho me invento
Mas se esquecia
Que no momento
Tenso, singular, inverso do tempo
Penso
Que na sua boca me afogo
Morro
E morrer não traz sossego
Esquecer não tira o medo
O paralelo que se cruza no infinito
É a vontade e a esperança
Que de tão longe, o tempo
Faz da vida um sonho
Que não se esquece
Fica na lembrança
Mas que nunca se realiza
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Fazendo amor #1
Carlos e Clara tiveram um filha
Clara e Carlos se amaram, mas passou
Mas a pequena Lívia?
Um dia ainda vai entender desse amor
Carlos ama e é amado por Ofélia
Ofélia que teve um filho com ninguém
O pequeno Lucas que antes não podia
Agora tem resposta para o "quem"
Clara teve raiva de Carlos
E não foi sem razão
Afinal, todos que um dia nasceram homem
Um dia omi serão
Mas Carlos não era de todo mal
E compreendia seus erros
Ofélia era forte e entendida
E acreditou nos seus acertos
[Pro restos dos dias e além
Se isso tudo é da conta de alguém
Só cabe a Ofélia, Carlos e Clara
E se puderam todos ser felizes
Tá tudo bem.
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