sábado, 24 de março de 2012

Nueva mirada

Meu quarto é tão diferente do meu banheiro
Tenho vergonha da minha cama e orgulho da minha privada.
Meu mundo é tão deslocado da minha nova mente
Meu mundo é sujo e minha mente clara como água
Confusa como a mente desolada de alguém acompanhado e só.
Meu sábado agora é tortuoso de saudade, de tédio,
Sem inspiração e cheio de vontades.
Minha vida agora se encaixa aos poucos por um novo olhar
Meus olhos fitam essa luz estranha que sai da tela antiga
Ao invés de fitar de uma vez algo real.
Meu ouvido que hora ou outra recebe vários sons virtuais
Procura por um pouco de realidade, mas os passos da felina não ecoam
E esse tormento, ansiedade e angústia que aos poucos me tomam
Me fazem mais calado, mais leitor, menos ilusão e mais homem,
Encontrei uma segurança nas pessoas que temi que não dariam.
Fico contando os minutos, nunca desejei tanto os domingos como agora.
Nunca desejei tanto os segredos e a omissão, nunca desejei tanto a realidade
Nunca esperei tanto de mim, nunca desconfiei tão pouco de alguém
Há muito tempo não me entregava assim a algo tão real, sem fuga,
Sem ilusão, sem grandes problemas e ainda sim tão recheado de sonhos
Viagens, esperas, carinho, paladar, cheiro e cumplicidade.

terça-feira, 13 de março de 2012

Auto

Eu sou o mártir e o salvador de mim mesmo
Sou desdém, carinho e amor
Eu sou homem, mulher, veado o que for
Sou violão, sou calma, sou ódio, sou nada
Sou quem me assassina todos os dias
O homem que não acredita e louva o tempo todo
Sou a raspa da sobra do que restou
Sou lixo e sou ouro, do tolo, do sábio, da estorsão
Sou do tipo delicado que ouve e tenta aprender
Eu sou um merda que já te fez ou ainda te faz sofrer
Eu sou pra mim um questionamento de quando não mais ser
Sou mutante, ameba, borboleta cega dentro de um aviário
Eu sou a certeza e a perdição
Sou do tipo que pensa muito antes de escrever ou falar
Sou o cara que nunca teve a mínima intenção de machucar
Eu sou um dos que sei que a palavra fere como arma
E sei também de coisas que nem precisava
Eu ainda serei muito pra você sem nem mesmo te diminuir
Sou a lenda eterna em que aos poucos me perdi
Sou o tempo, a memória, a solidão
Sou tudo aquilo que se cospe depois do trago
Sou mortal e divindade, o Exu, o anjo
Sou aquilo que você sempre sonhou
E mesmo assim serei sonhos que se vão.
Eu sou tudo que eu não queria ser
Com um pitada de satisfação.

quinta-feira, 8 de março de 2012

To cansado de ouvir tanta hipocrisia
To rodeado por um mundo que ama odiar
Farto até o cabelo de tanta sacanagem
Fica todo mundo quietinho sentado
Embarcado nessa viagem
De fazer nada, de tudo tem
Não tem problema a gente coloca grade
Porquê assim o medo não vem.

Hoje estava andando pelas ruas sozinho
Avistei de longe um sujeito
Exalava de mim muito medo
E ele não fez nada comigo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Doce cantiga

O beijo doce, a conversa inconstante
O corpo frágil inteiro, coisa normal no meio
Seus lindos e suaves, fartos seios
Sua pele, inigualáveis detalhes de sonhos
Do belo que eu criei em minha mente
Seu toque, seu sexo, brincadeiras
Coisas que só nós ou um nó(s) entenderia
Coisas que eu dificilmente esqueceria
Não fosse o fato de que tudo ficou pra trás

Desde pequeno mamãe dizia
Para darmos, independente de pra quem seja
Bandeijas de ouro coberta de rosas

Ao invéz de trouxas cheias de bosta.

Construção

Vendeu seu terno
E o Erasmo cantou doído no seu peito
Essas coisas de mesquinhas, de jogo, de nada
Lhe deu um tapa na cara pra saculejar
E ver pra dentro de si mesmo e se admirar
Que mais nada ali havia
Nem certezas, nem amor, nem carinho, nem ódio
Nem dor, nem sonho, nem mesmo destino
Voltou a tona e olhou para os lados
A casa já era triste, sem ela então...
Pelo menos ela vivia independente
A liberdade limitada que possuía
Trancada e livre, viva, criança,
Mas isso em breve há de voltar
Não é o principal problema
O problema é ele!
Que nem sabe mais do que sentir saudade.

sábado, 3 de março de 2012

Nada anormal

14:45 - Se encontrou
15:00 - Se animou
16:00 - Se alimentou
16:30 - Se explicou
16:45 - Se partilhou
16:50 - Se integrou
16:55 - Se alucinou
17:00 - Se despediu
17:07 - Se convidou
17:30 - Se esparramou
19:00 - Se embebedou
19:30- Se engrandeceu
20:00 - Se reanimou
20:30 - Se divertiu
22:00 - Se inspirou
22:30 - Se questionou
23:00 - Se propôs
23:13 - Se entristeceu
23:30 - Se imaginou
23:37 - Se perdeu
23:40 - Se deitou
23:45 - Se iluminou
23:50 - Se entendeu
00:05 - Se musicou
00:15 - Se satisfês
00:23 - Se inexistiu
00:27 - Se desapareceu
00:40 - Se acolheu
1:40 - Se masturbou
1:48 - Se esqueceu
1:55 - Se manipulou
2:00- Se expressou
2:05 - Se apagou

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sai de mim o que ganhamos do mundo

Eu canto em versos a felicidade
Do amor que transborda de mim para o mundo.
Você me questiona se amo um louco que conheci há dois dias
Respondo sim, eu amo, o amor não deve ser guardado
O amor tem que ser jorrado assim como um abraço suado
Uma risada corpo a corpo, as diferenças do coito.
O amor não deve ser limitado, nem julgado, nem esperado
Tem que ser livre como animal, prepotente como o capital.
O amor que eu espalho é pouco, vem de mim, insignificante
Mas te causa a saudade, a espera, a verdade pra nós.
O amor recebido me faz querer mais e mais loucos
Mais planos, mais vida, mais sorrisos.
No nosso tempo é difícil falar de perdão, o erro está frio
Porquê se ainda sim o erro fosse sensibilizado
Haveria espaço pro amor mostrar o caminho certo
Acredito na sensibilidade e acredito no povo
Pra que haja espaço pro amor acreditar, pro amor sonho,
Pro amor arte, pro amor vida, pro amor sincero, pro amor sorriso
Pro amor abraço, beijo, corpo, lágrima, leite, suor
Pro amor nos olhos, aquele que a gente vê em todo ser vivo
Eu acredito no amor que eu dou de graça
Que mesmo que eu não cobre, recebo de volta de quem ama como eu
Está tudo nos gestos do amor, não adianta virem com aquelas caras feias,
E mesmo que tentem, no amor já me tens,
Lhes responderei todo pomposo com um sorriso.

quinta-feira, 1 de março de 2012

...

Pega três panelas, pica quatro dentes de alho
Espalha um pouco em cada panela
Joga óleo de soja, ascende o fogo
Assim que sobe o aroma de alho frito
Em uma panela joga o arroz
Na outra o feijão já cozido
Na terceira a costelinha
Deixa refogar, água, pimenta, orégano
Cebola, cebolinha, salsinha,
Comida em casa mineira
O sol de verão e o calor insuportável da cidade
Mas nada tira a fome do homem
Que graças a Deus tem um prato de comida
Logo a pouco.