terça-feira, 26 de setembro de 2017

Ilusão

Entrei bêbado no banheiro do bar e o banheiro estreito se limitava a um mictório de alumínio com vaga para dois e uma privada isolada sem porta com uma mureta que os dividia. A mureta de aproximadamente um metro e oitenta ostentava uma coroa de pedras na parte superior que impedia quem quisesse de descansar os copos ali, o que acabava te forçando a urinar com o copo na mão. Escolhi a privada por nunca conseguir mijar em mictório, nunca consegui explicar, nem tento, só não consigo. O vaso estava até o topo de água, urina e restos de cigarro e papel higiênico, logo acima um aviso de papel velho e tão ensopado quanto o chão daquele lugar pedia encarecidamente para não jogar papel no vaso. Como não consigo mijar em mictório o jeito foi mijar ali na na fonte de dejetos. Fechei o olho pra concentrar e logo depois sai do banheiro e fui surpreendido por um soco que me jogou no chão e me derrubou o copo que tive trabalho de manter na outra mão enquanto urinava. A vertigem e a raiva não me impediram de olhar o olho do agressor que satisfeito deferiu outro soco dessa vez mais perto do olho e na atual situação talvez a gargalhada fosse mais convincente que a cara de ódio que eu fazia, porém não reagi, não tive vontade, força, ânimo, medo, por incrível que pareça me parecia um boa opção o chão e os socos. As outras pessoas que o tiraram de cima de mim até que os seguranças retiraram do local aquele bárbaro de pele pálida. O mijo acabou e eu fechei o zíper irritado de estar pisando naquele chão repleto de mijo de toda uma noite. Saí do banheiro e incrivelmente nada me surpreendeu, nem um soco, nem um bárbaro, nem a raiva, igual a ilusão só a falta de vontade, de força, ânimo e o medo que movem as coisas.