Mas me dá uma dor no peito
Com esse coração todo sem jeito
De não ter você aqui
E eu sei que com você longe
A felicidade se esconde
E a gente força pra sorrir
Mas logo chega o dia claro
As bocas amam com os lábios
Depois que vejo você vir
Enquanto esse dia não vem
E facilidade não tem
Eu sei que você quer chorar
Mas quando paro e penso
Me jogo todinho no vento
E vou aí te abraçar
Pega e segura esse abraço
Que o vento forma no laço
E ouve esse cochichar
Que o vento me leva com ele
E o sussurro que sai dele
É o mais sincero e molambo
Que você sabe e sente de mim
Que com todos esses defeitos assim
Fui seu o mais seu do ano
E quando as palavras saem facinho
Mais que da garrafa o vinho
Só querem dizer eu te amo
Acaba que a falta que você me faz
É bem menor incapaz
Do que o sentimento que a gente faz
Crescer, amadurecer, dentro de nós.
Nunca quis tanto você por perto
Nunca te amei tanto assim
Se o vento entregar o abraço
Abraça ele pra mim.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Sonho
E hoje que eu tive um sonho, que foi um sonho esquisito
Me deixou foi um bocado aflito, que tinha um monte de mosquito
Que pra matá nun corria nem risco, caus que os bixo era tão arisco
Aquilo me dava uma raiva, que não tinha o que fazê.
Num é que os bichinho se transforma num rapaz
Que se chamava de poeta dos poetas, que tinha vindo das trevas
E vinha dar um recado pra algum desocupado e que viera de Satanaz
Justo pra eu que mesmo no sonho sou rapaz medonho
Que mesmo o poeta que veio das trevas veio dá o recado pra mim
O recado era dos muito estranho e lembro que dizia assim:
"Que fique dito e dito por mim que de agora pra frente
Decreto à poesia seu eterno fim!"
Depois de lido o recado, do jeito mais desesperado
Foi que acordei do sonho em mim
Com o recado na cabeça e a tristeza no corpo,
Que adentrei o bar do Bosco e passei o recado também
Bosco que era poeta de muitas linhas, riu da conversa
Afiou bem a prosa fina e quando preparou a sua rima
Sua língua que era uma obra prima se enrolou todinha e não quis falar
Daí foi que o desespero tomou conta, juntô foi eu e o Bosco no pé da santa pra rezar.
E não é que nesse momento entra o doido José Bento
Logo atrás o seu jumento que berrava tão certinho que parecia cantar
E no meio da cantoria o doido me grita "IHA!" e começa a resmungar
"Eu sei bem o que acontece, que na véspera da quermece, Satanaz vem atentá
Ele veio e veio cedo, geralmente bota medo e gosta de uns verso roubar."
E foi eu no desespero que larguei o pé da santa e perguntei logo pro doido:
"Me diz vai meu amigo, como faz pra nós sará?"
E ele me respondeu com o mais longo dos silêncios que alguém pode calar
Logo nisso entendi que pra rima eu conseguir, tinha que o jumento cantar.
Lhe dei um puxão no rabo, que com o menor estrago, fez o bichinho berrar
No meio daquele barulho todo, foi eu mais o Bosco e começamos a rimar
A rima foi justinha, tão certinha e tão rápida
Que no final de cada linha já não tinha o que lembrar.
E foi num rebuliço desses, rimando com um rabo na mão
Eu, Zé Bento, Bosco e o jumento Tião
Junto na poesia, no canto e no recado, que nóis mando direto pro diabo
E que dizia mais ou menos assim:
♪
"In, quem é que disse que o senhor poder calar
On, comé que pode o senhor nos maltratar
In, a gente é pobre não tem como piorar
On, na poesia é que a gente se encontra
Intão intenda que a rima que nóis faz
Ontem de ontem a gente nem lembra mais
In o senhor que nos erre por favor
Onça é que gosta de vara curta dotor" ♫
Me deixou foi um bocado aflito, que tinha um monte de mosquito
Que pra matá nun corria nem risco, caus que os bixo era tão arisco
Aquilo me dava uma raiva, que não tinha o que fazê.
Num é que os bichinho se transforma num rapaz
Que se chamava de poeta dos poetas, que tinha vindo das trevas
E vinha dar um recado pra algum desocupado e que viera de Satanaz
Justo pra eu que mesmo no sonho sou rapaz medonho
Que mesmo o poeta que veio das trevas veio dá o recado pra mim
O recado era dos muito estranho e lembro que dizia assim:
"Que fique dito e dito por mim que de agora pra frente
Decreto à poesia seu eterno fim!"
Depois de lido o recado, do jeito mais desesperado
Foi que acordei do sonho em mim
Com o recado na cabeça e a tristeza no corpo,
Que adentrei o bar do Bosco e passei o recado também
Bosco que era poeta de muitas linhas, riu da conversa
Afiou bem a prosa fina e quando preparou a sua rima
Sua língua que era uma obra prima se enrolou todinha e não quis falar
Daí foi que o desespero tomou conta, juntô foi eu e o Bosco no pé da santa pra rezar.
E não é que nesse momento entra o doido José Bento
Logo atrás o seu jumento que berrava tão certinho que parecia cantar
E no meio da cantoria o doido me grita "IHA!" e começa a resmungar
"Eu sei bem o que acontece, que na véspera da quermece, Satanaz vem atentá
Ele veio e veio cedo, geralmente bota medo e gosta de uns verso roubar."
E foi eu no desespero que larguei o pé da santa e perguntei logo pro doido:
"Me diz vai meu amigo, como faz pra nós sará?"
E ele me respondeu com o mais longo dos silêncios que alguém pode calar
Logo nisso entendi que pra rima eu conseguir, tinha que o jumento cantar.
Lhe dei um puxão no rabo, que com o menor estrago, fez o bichinho berrar
No meio daquele barulho todo, foi eu mais o Bosco e começamos a rimar
A rima foi justinha, tão certinha e tão rápida
Que no final de cada linha já não tinha o que lembrar.
E foi num rebuliço desses, rimando com um rabo na mão
Eu, Zé Bento, Bosco e o jumento Tião
Junto na poesia, no canto e no recado, que nóis mando direto pro diabo
E que dizia mais ou menos assim:
♪
"In, quem é que disse que o senhor poder calar
On, comé que pode o senhor nos maltratar
In, a gente é pobre não tem como piorar
On, na poesia é que a gente se encontra
Intão intenda que a rima que nóis faz
Ontem de ontem a gente nem lembra mais
In o senhor que nos erre por favor
Onça é que gosta de vara curta dotor" ♫
Traz contigo
Ela desabrocha em mim uma flor
Que pequenininha, mudou de tamanho e ganhou cor.
Ela mora em outro lugar, tão longe, chega que se esconde
Que mesmo que passasse por dez mil montes
Há de ainda demorar a chegar.
Ela é mulher, é menina, é outra menina, é outra mulher
E nos dias de intervenção ainda pode ser outra mulher e outra menina.
Ela conversa, sorri, costura
Faz da mão na máquina e quando não tem
Mete a mão na agulha.
Ela vez em tempo faz o que eu faço
Tem vez que não faz e eu desgosto
Mas esse desgosto de nada, faz nem cósquinha no gosto que eu tenho.
Porquê vô te contar, que beleza maior prêsses olhos não tem
E quando a tristeza bate, já logo convido ela pra entrar
Que logo mais quando meu bem chegar
Sei muito que sei o que ela há de carregar
E que junto com ela a felicidade vem.
Que pequenininha, mudou de tamanho e ganhou cor.
Ela mora em outro lugar, tão longe, chega que se esconde
Que mesmo que passasse por dez mil montes
Há de ainda demorar a chegar.
Ela é mulher, é menina, é outra menina, é outra mulher
E nos dias de intervenção ainda pode ser outra mulher e outra menina.
Ela conversa, sorri, costura
Faz da mão na máquina e quando não tem
Mete a mão na agulha.
Ela vez em tempo faz o que eu faço
Tem vez que não faz e eu desgosto
Mas esse desgosto de nada, faz nem cósquinha no gosto que eu tenho.
Porquê vô te contar, que beleza maior prêsses olhos não tem
E quando a tristeza bate, já logo convido ela pra entrar
Que logo mais quando meu bem chegar
Sei muito que sei o que ela há de carregar
E que junto com ela a felicidade vem.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Passarinho
E foi passarinho que deixou o ninho
Os olhos rasinhos e se fez partir.
E horas e horas de viagem, barulho
Frio, cidade, garagem e no momento sorri,
Mas passarinho que não mais sentia aquela casa
Ficou apertada e quis voltar.
O tempo e a vida combinam a trama
E mesmo sem drama ela se fez chorar.
Passarinho era forte mas no coração um corte
Que fere outra pessoa sem sorte, ai que doía
E do outro lado insano, do outro corte o dono
Que junto sofria e que sem passarinho não queria.
Mas essa outra pessoa que lhe queria o bem
Confessou a passarinho que o tempo não lhe servia
E que uma vida era pouco, mesquinharia
Pra mostrar que o amor que sentia não era deveras bobo.
E passarinho se olhar prêsses versos pobres
Que não são de ninguém, mas são pra você
E que é pra quando ver, ver que são de verdade
Que falam de amor e de saudade
Mas que principalmente são pra arrancar um sorriso docê.
Os olhos rasinhos e se fez partir.
E horas e horas de viagem, barulho
Frio, cidade, garagem e no momento sorri,
Mas passarinho que não mais sentia aquela casa
Ficou apertada e quis voltar.
O tempo e a vida combinam a trama
E mesmo sem drama ela se fez chorar.
Passarinho era forte mas no coração um corte
Que fere outra pessoa sem sorte, ai que doía
E do outro lado insano, do outro corte o dono
Que junto sofria e que sem passarinho não queria.
Mas essa outra pessoa que lhe queria o bem
Confessou a passarinho que o tempo não lhe servia
E que uma vida era pouco, mesquinharia
Pra mostrar que o amor que sentia não era deveras bobo.
E passarinho se olhar prêsses versos pobres
Que não são de ninguém, mas são pra você
E que é pra quando ver, ver que são de verdade
Que falam de amor e de saudade
Mas que principalmente são pra arrancar um sorriso docê.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
As Artérias
O tempo passa e as pessoas acabam esquecendo das coisas mais simples.
Ando calado e superficial por causa das complicações das coisas simples, as pessoas andam tão inseguras, frágeis, ansiosas, agressivas.
Chega um ponto que nada mais precisa ser dito, ou explicado, sobre a vida sobre o amor por exemplo.
Não há mais o que se falar sobre o amor, não tem que se explicar, mas anda tão difícil fechar os olhos e lembrar da pureza só de sentir que a necessidade da prova vence o o abraço.
Não consigo nem mesmo concluir o que escrever, nem mesmo me expressar, não consigo mais acompanhar o ritmo de como eu queria que a minha escrita funcionasse.
Tem muita sujeira presa nos encanamentos do sentir.
As palavras tomaram um espaço onde elas não cabiam, e a prisão do sentir impediu o fluxo das palavras e tudo que conseguimos foi perder os dois.
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