domingo, 11 de dezembro de 2011

Sonho

E hoje que eu tive um sonho, que foi um sonho esquisito
Me deixou foi um bocado aflito, que tinha um monte de mosquito
Que pra matá nun corria nem risco, caus que os bixo era tão arisco
Aquilo me dava uma raiva, que não tinha o que fazê.
Num é que os bichinho se transforma num rapaz
Que se chamava de poeta dos poetas, que tinha vindo das trevas
E vinha dar um recado pra algum desocupado e que viera de Satanaz
Justo pra eu que mesmo no sonho sou rapaz medonho
Que mesmo o poeta que veio das trevas veio dá o recado pra mim
O recado era dos muito estranho e lembro que dizia assim:
"Que fique dito e dito por mim que de agora pra frente
Decreto à poesia seu eterno fim!"
Depois de lido o recado, do jeito mais desesperado
Foi que acordei do sonho em mim
Com o recado na cabeça e a tristeza no corpo,
Que adentrei o bar do Bosco e passei o recado também
Bosco que era poeta de muitas linhas, riu da conversa
Afiou bem a prosa fina e quando preparou a sua rima
Sua língua que era uma obra prima se enrolou todinha e não quis falar
Daí foi que o desespero tomou conta, juntô foi eu e o Bosco no pé da santa pra rezar.
E não é que nesse momento entra o doido José Bento
Logo atrás o seu jumento que berrava tão certinho que parecia cantar
E no meio da cantoria o doido me grita "IHA!" e começa a resmungar
"Eu sei bem o que acontece, que na véspera da quermece, Satanaz vem atentá
Ele veio e veio cedo, geralmente bota medo e gosta de uns verso roubar."
E foi eu no desespero que larguei o pé da santa e perguntei logo pro doido:
"Me diz vai meu amigo, como faz pra nós sará?"
E ele me respondeu com o mais longo dos silêncios que alguém pode calar
Logo nisso entendi que pra rima eu conseguir, tinha que o jumento cantar.
Lhe dei um puxão no rabo, que com o menor estrago, fez o bichinho berrar
No meio daquele barulho todo, foi eu mais o Bosco e começamos a rimar
A rima foi justinha, tão certinha e tão rápida
Que no final de cada linha já não tinha o que lembrar.
E foi num rebuliço desses, rimando com um rabo na mão
Eu, Zé Bento, Bosco e o jumento Tião
Junto na poesia, no canto e no recado, que nóis mando direto pro diabo
E que dizia mais ou menos assim:


"In, quem é que disse que o senhor poder calar
On, comé que pode o senhor nos maltratar
In, a gente é pobre não tem como piorar
On, na poesia é que a gente se encontra
Intão intenda que a rima que nóis faz
Ontem de ontem a gente nem lembra mais
In o senhor que nos erre por favor
Onça é que gosta de vara curta dotor" ♫

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