Você só passou, como sempre passara por ali, só, porquê sim. Não buscou nada específico, ou esperou por um acontecimento, ou desejou o improvável. Talvez foi isso que me chamou a atenção. Eu sei, fui insistente. Eu quis, quis muito fazer parte daquele silêncio, ou foi meu mundo barulhento que quis chegar com rimas, com música. Penso de modo egoísta, foi bom, me fez ver que aí também há som, há pedidos, há sonhos.
Você passou devagar, pintando. Talvez você não note, mas você pinta. Quando anda, pinta o tempo, que parece deixar de correr. Quando sorri, pinta sonhos, vontades de te imortalizar ali. Quando fala, pinta brincadeiras e abraços quentes, pinta dias azuis também, escalas de chumbo ou grafite, sombras. Quando escreve você pinta luz, passados amarelo claro, grandes luas que saem da moldura pra dizer.
Você passa tão rápido que deixa vontades, de ouvir sua voz cantar seus versos contínuos em sol maior e só. De dormir com você seu sono silencioso e rosto sereno de quem prefere os sonhos. De tomar café com chocolate com os gatos do lado de fora só porquê não podiam ouvir a conversa. Da poesia que há de fazer novas visitas.
Você não passa todos os dias. Você não é rotina e acho que não seria, pois você não é mergulho você é o rio, é em si o que mais teme e o que mais ama. É sereia ou borboleta por ser transformação. É coruja e elefante por ser conhecimento, carinho e saudade. Você é o tempo e é o seu. Seu tempo é carinho e cuidado nos laços de quem mais amo. Você é a metáfora que eu não pude fazer.
Você passa de verdade. Você é a sua verdade.
Ou essa que eu inventei pra te ver passar.