quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quero uma dose de utopia

Fomos confinados todos em uma caixa. Manipulam todos os nossos passos, não nos seguem porquê não precisam fazer isso, não precisam saber o que estamos fazendo ou deixando de fazer, mas tudo a nossa volta conspira para a manutenção desta caixa. Estamos todos presos aos nossos computadores super potentes, nossas roupas novas, óculos, séries, programas, músicas, estamos presos até ao que comemos ou como comemos, tudo nos destrói e isso já era previsto para que tenhamos que voltar de novo para a caixa e nos tratar. Isso tudo vocês já estão cansados de ler, ver, ouvir por aí.
A questão é que mesmo os poucos que ainda mantém algumas certas peculiaridades do tipo, amizades, conversas, leituras, paixões verdadeiras, amores, se prenderam em um círculo e dificilmente conseguem sair disso. Não conseguimos criar coisas novas, não existem mais ideias. Não movemos um dedo pra mudar as coisas a nossa volta. Continuamos dentro da caixa e nossa única e principal missão é preocuparmos sempre com nós mesmos. Não faremos nada de novo, continuaremos preocupados em mudar as cosias a nossa volta para nosso próprio benefício. Quero ser sincero nesse texto e dizer que cansei da mesmisse.
Tenho saudade das utopias, porque esquecemos de sonhar? Ultimamente tenho voltado a sonhar, dormindo e acordado. Mas até os meus sonhos estão presos na caixa. Não rompo barreiras, a realidade talvez tenha me mostrado inutilidade na minhas antigas utopias e agora o que sobrou são somente sonhos iguais, iguais a tudo que eu vejo por ai. Vergonha, acho que esse é o sentimento geral dentro da caixa, mas o que todo mundo faz é esconder, ninguém se preocupa mais com esse sentimento que por muito tempo serviu para engrandecer o homem, ao contrário do que muitos dizem por aí gosto da vergonha porquê a vergonha é a prova pra si próprio de algo que esteve errado no passado e até isso nós aprisionamos. Existem modelos de caixa em tudo que a gente vive, deixamos que a caixa da sociedade passasse para dentro das casas, para dentro das relações e agora pra dentro de nós mesmos.
É tão difícil conversar hoje em dia, é porquê temos vergonha das vergonhas que sentimos e que aprisionamos. É tão difícil amar hoje em dia, porquê tudo é um problema, porquê tudo é frio e sistemático. É tão difícil ajudar hoje em dia porquê é tão grotesco que temos medo de destruir a frágil estrutura de vidro das nossas própria vidas.
Quero que venham quebrar a minha estrutura, preciso de ajuda e sei que não vou conseguir sozinho, quero continuar sonhando e agradecer a quem tem me ajudado tanto nesse objetivo. Quero minhas utopias só pra não me sentir tão preso nessa realidade agressiva, rir mais das coisas de verdade, amar mais as coisas de verdade. Quero pessoas de verdade. Sinto tanta coisa boa das coisas de antes ainda próximo de mim, mas tem tanta coisa que não tem mais, e o pior é que a culpa é minha também. Quero pegar as coisas boas que ainda restam e transformar em realidade concreta.
Alguém se dispõe a me dar a mão nessa viagem?

terça-feira, 28 de junho de 2011

O Amor e a Quietude, ela e ele, respectivamente.

Tem coisas que a vida não muda, tem coisas que a gente não quer mudar.
Como hoje deitados frente a frente como sempre, algumas longas conversas e outras que eu não esquecerei jamais.
Há alguns dias que a humanidade do abraço vem me confortar, que eu posso sentir a pele na ponta dos meus dedos, que eu posso me rever como homem e que sinto tudo mais próximo.
Sinto uma coisa chamada amor, um sentimento que ainda não decifrei, sinto e tento entender tanta intensidade. Há alguns dias que nesse mundo reina um mundo de paz, uns mais calados, outros mais falantes, outros a procura de amizade. De onde eu venho amizade não se procura, amizade é lei entre os seres.
Nesse mesmo tempo que passara tento entender alguns sentimentos que de onde eu venho não tem nome e aqui também não. São tipos de sentimentos que os humanos não explicam, algo misturado com tristeza e solidão mesmo estando feliz e com várias pessoas por perto, algo que varia entre ansiedade e paz e que causa calafrios, apertos no estômago e aprisionamento cardíaco.
Sinto que esse sentimento não passa só por mim, mas também por um grande humano que conheci nessa jornada, grande porte e grande coração, sei disso somente por sentir pois é ele talvez o humano mais calado que conheço. Não se preocupa muito com o falar, mas tira nota dez no quesito carinho, presença e amizade. Sinto que esconde alguns sentimentos através do seu riso fácil e contagiante, mas ao mesmo tempo sinto que não precise comentar com ninguém o que sente, e que o essencial se percebe sem que se diga nada. Que fique bem claro a esse humano que, em pouco tempo, se tornou um dos motivos pra eu acreditar nesse sentimento humano, o amor e que me ensinou que o essencial é invisível aos ouvidos.
Tem coisas que a vida não muda, tem coisas que a gente quer mudar.
Quero que a loucura seja posta como estado de supra sabedoria e que não seja necessário ser normal para entender esse mundo em que a normalidade parece muito louca aos meus olhos.
Quero que que as promessas sejam feitas apenas com o intuito de cumpri-las e que os humanos sejam atenciosos na fabricação de uma, para que erros não sejam cometidos.
Quero que nenhum humano precise provar nada e que a confiança e a honestidade se cumpram em uma troca de olhares, em um abraço ou na palavra.
Quero que os momentos felizes sejam imortalizados para que os momentos de aflição não tomem espaço.
Quero ser quem eu sou neste momento, a humanidade me cai bem em dias frios com sol.
Quero não ter a necessidade de ser um bom ser humano e que as pessoas que me amam me bastem.
Quero que o sorriso seja tombado pelo patrimônio universal e que as crianças sejam fiscais e cumpram seu dever na arte de fiscalizar o sorriso.
Não quero mudar o rumo desse texto e isso eu posso fazer.
Quero acreditar no amanhã e acreditar que ele será como ontem, com noite de sono mal dormida, mas com o maior sentimento da humanidade vivo na pele, na alma.
Quero te dizer mais uma coisa,
Se isso tudo é uma brincadeira, é porquê levamos muito a sério.



"Segunda carta da séries de cartas de Oicani para os homens."
Queria que pudesse prometer
Não dar as costas pra mim
Mesmo

Mais uma vez

Nossos pés que caminham iguais
Meio a blocos de concretos
Passeios mal iluminados
Amigo estudando no caminho
Silêncio, riso e frio.
Meu pensamento em ti
Por ti me decifro
Subtraio de mim a essência de proteção
Nossos olhares se cruzam sempre
Em momentos de cumplicidade
E se fogem nos outros
Te perco e me perco meio aos blocos de concreto
Te encontro e os passeios se iluminam
Paralelamente minha mente
Com os passeios
Se ilumina
As palavras fluem fácil
A vida parece
Fácil
Me encontro no encontro de saber que sei
E o ter certeza de não saber quase nada
Me perco em seus braços
No suor frio da caminhada
Nas pontes metafóricas
Nas fontes
De tudo que brota disso tudo que criamos
Disso tudo que é fruto
Do que você trouxe
Pra mim
Mais um vez.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Para cada Artista caberá a sua Arte

Aos transeuntes a adoração às estrelas
As poesias solitárias e a vida da cidade
Aos artistas de rua a coragem
A proteção natural ao sol e a simpatia
Aos desenhistas traço
Modelo e entendimento
Aos músicos a plateia satisfeita
As rodas de amigos e cerveja nos copos
Aos artesãos matéria prima
Paciência e criação
Aos pintores sentimento
A lágrima nos olhos e as cores
Aos atores voz alta
Movimento e expressão
As costureiras linha
Tecido e carinho
Aos escritores uma ideia
Um personagem e as palavras
Aos cozinheiros olfato
Silêncio e pratos limpos
Aos professores atenção
Interesse e gratificação
Aos malabaristas concentração
Equilíbrio e retribuição
Aos fotógrafos foco
Alma e olhar
Aos palhaços o riso
O tombo e às vezes o medo
Aos dançarinos um par
Leveza e um músico
Aos poetas inspiração
Lápis, amor e solidão
Aos que eu não citei
Mas se consideram, desculpas
E a todos sem exeção
O direito arteficar
O espaço e a aprovação
A rua, o palco, o quarto, o chão
A causa de arrepios, a resposta
O público, o sentimento
O Reconhecimento

Por Pedro Inácio e End Cruz

domingo, 26 de junho de 2011

Te abro as portas
Te coloco em meus braços por pura proteção
Te deixo escapar por besta insanidade
Sofro e aprendo a não te ter só pra mim
Te quero por perto te amo e não nego
Sim eu aceito sua proposta
Darei pra ela as asas de cera
E abro as portas para que possamos os três
Viver em paz
Mas me prometa que cuidará dela assim como te cuido
Saberá cuidar-lhe a tristeza e salvar-lhe a felicidade
Saberá que as asas são dela e não mais suas
E que ela tem o direito de voar
Saberás perdoar e corrigir seus próprios erros
Para que meus labirintos sejam um reino de paz
Pra nós três

"E eles foram com a linha na mão pra não se perderem."
Querido subentendido
Que junto com a noite de ontem
Rodopia minha mente e meu estômago
Me acaricie com palavras?
Me prende nesse seu labirinto de novo?
Eu quero!
Eu preciso!
Pega essas asas de cera e joga pra ela lá fora.
Da pra gente a chance de ficar trancados aqui dentro
Só nós dois.
Querido subentendido seja meu amigo
Fique do meu lado como um dia já ficou
Abra suas portas incondicionalmente
Para que eu possa entrar
Com ela.
Eu não te darei hoje meias respostas
Não direi novamente "e se eu for o que você fará?"
Querido subentendido
Hoje te darei respostas inteiras
Assim como sentimentos inteiros
Abre a porta

Eu vou


[E não vou querer voltar.

Sete e meia da manhã

Tem coisas que a vida não muda, tem coisas que a gente não quer mudar.
Como hoje deitados frente a frente como sempre, alguns flashes de conversas e outras coisas que ainda não entendi.
Não é fácil falar de ninguém, crio meus personagens pra suprir alguma coisa que não crio em mim, ou que não vejo nos outros, ou um detalhe que vi e acabo transformando uma vida inteira a partir dele.
Então imaginem, se não é fácil falar de ninguém, falar de mim é muito pior.
Mais cedo tive uma explosão de palavras e queria escrever tudo, não escrevi, deixei pra mais tarde, e agora esqueço tudo, não que isso seja um mal sinal, não é, o que não foi escrito não deveria ser escrito.
Penso todos os dias antes de dormir em quem eu fui durante o dia, penso e penso se naquele dia eu poderei dormir um homem melhor ou pior, agora são 7:30 e eu ainda estou procurando um motivo pra acreditar que eu dormirei um homem melhor, não vou. Não vou pois não sou homem hoje, não sou o que acreditam ser e não serei. Hoje talvez vocês viram a face de alguém fraco, de alguém que se mostra a cada dia um pouco mais para vocês. Hoje eu desisti de ser eu, hoje eu queria ser luz e tudo que consegui foi um lugar numa cama nesse buraco escuro e quente que os humanos chamam de quarto. Hoje com certeza eu não vou encontrar razões pra ser um homem melhor porque eu não fui nunca, um homem melhor, nenhum dia. Pensei sobre os dias que dormi acreditando ser um homem melhor e descobri que nenhum desses dias eu fui verdadeiro. O pior, eu fui o pior porquê não fui verdadeiro comigo, porquê eu sempre minto e porquê ninguém deve ouvir o que eu digo.
Quero mesmo pedir desculpas a quem eu machuquei, quero curar feridas que causei em quem eu não queria por causa desse jeito de ser eu, que não é ser humano.
Quero que fique claro pra todos que eu sou sim um fraco, um louco, que desistiu das tolices humanas pra ser exatamente tudo aquilo que todos odeiam.
Quero ao mesmo tempo um abraço, um abraço que me acalme e me esquente que cubra de humanidade e me mostre um cado de realidade.
Quero que as brincadeiras sejam soltas, jovens, e vivas para que ninguém no mundo seja triste e pra que ninguém seja velho o bastante pra se lembrar.
Quero ser velho ao mesmo tempo, pra poder ter a tranquilidade de pensar que as dores do sentimento agora já são todas vividas e que o que me preocupa é somente a doença, a velhice, a morte.
Tem coisas que a gente não muda, tem coisas que a gente quer mudar.
Quero mudar o tempo, a vida redonda que roda contra a minha vontade.
Quero mudar o passado para no presente não me arrepender das coisas que já fiz.
Quero mudar minha vida e deixar de existir, como diz Telmo, quero ser um barril pra não saber que o sou.
Quero mudar a morte para que a vida reine sempre.
Quero mudar o fim para que o meio seja infinito e o início dure o tanto que a gente quiser.
Quero me mudar e deixar de ser quem eu sou.
Quero mudar o rumo do texto, e isso eu posso fazer.
Quero acreditar no amanhã e acreditar que ele não irá me machucar.
E quero te dizer mais,
Se isso tudo foi sério, é porquê tudo é uma brincadeira.


"Primeira carta da séries de cartas de Oicani para os homens."

sábado, 25 de junho de 2011

La Jalousie

Entender o que é talvez o mais velho dos sentimentos
Que é instintivo e se encontra em qualquer animal
Assim que me sinto quando ele vem a tona
Um animal, que deveras sou, mas que sociologicamente devo negar
Negar que carrego em minha mente esse sentimento de proteção
E que realmente não queria ter, ou ao menos poder controlá-lo
Esse sentimento que quanto ativado gera
Apertos no coração, azia e ativação de gastrite
Pra quê ter isso se no final nem posso por pra fora?
Um sentimento que não me trás beneficio algum
Trás tristeza e algumas dores realmente físicas
Um sentimento que alguns entendem como falta de maturidade
Outros o tem de forma doentia
E outro cometem até loucuras.
Quero deixar de ser animal,
Pra ser só o que eu quiser.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O fim.

Por quê insisto em te ver com o Fim?
Você está sempre ligada ao fim e é assim que te chamam, fim.
Mas não é atoa.
Você é o fim de uma longa espera, da agonia, da solidão
O fim dos dias de tédio, do desleixo, da saudade
Você é pra mim o fim do cansaço, da tristeza, da não inspiração
O fim da tolice, da doença, da fealdade
Você me lembra o fim de um sorvete, de um sanduiche, de um cigarro
O fim da procura, do ceticismo, do fanatismo.
Você é a vontade desse texto não ter fim.
Você é o texto em si dedicado ao fim.
Você é o fim do início e o início do fim, se o fim for você pra mim.
Você é o fim de um filme bom.
E o fim da pergunta que a resposta é sim.
Você é o meu fim
Se for preciso.
Os sonhos têm uma conexão direta e mista
Entre o Presente, a Fantasia e o Futuro

Se apresse nossa peça vai começar

Minha mente materializou em você uma personagem que eu criara
Pode até parecer chatice eu vir aqui de novo falar de borboleta
Mas foi assim que você me apareceu
Rosto pintado, lindas asas e um sentimento de liberdade
Parecia uma criança quando vai pela primeira vez para um parque
Corria de um lado para o outro deslumbrada com o local
O local era um teatro, em ruínas, mas era o lugar mais lindo que eu já vi
Tinha um palco todo em madeira talhada, com detalhes por toda parte
Centenas de cadeiras para a plateia, fora as áreas suspensas mais altas do prédio
Onde se via grandes sacadas que poderiam receber um numero imenso de público
No telhado do lado do palco havia um buraco, mas não parecia ser acidental
Pelo buraco entrava água da chuva, que caia no palco e com muito esplendor
Completaria parte da peça
Eu não imagino qual peça seria, nem qual personagem eu seria
Mas sei que o meu estava por se construir
Minha maquiagem não estava pronta e eu procurava desesperadamente por um lápis de olho
A aflição se misturava com a sensação de orgulho
Por vê-la assim como eu sempre vi metaforicamente
Com grandes e lindas asas, emanava uma grande e linda aura
Brincava com a liberdade, sorria e hora ou outra chegava perto de mim
Me dava um beijo no rosto e falava
_Vamos se apresse, nossa peça vai começar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Memória oufativa

Ficara estranho por motivos já bem conhecidos
Palavras inúteis sobrepostas sobre palavras sem valor algum
Uma fome desesperada por espaço e vontade de emitir tudo que não vale a pena
Sentiu tudo isso partindo de todos e sentiu isso partindo de si
E ver isso partindo de si foi o que mais o decepcionou
Havia representado alguém que não gostava de ser
O sentimento de decepção virou ódio
E todos os sorrisos das pessoas que ele ama incomodavam
Penetravam em sua pele com um certo ardor
Seu pedido não foi atendido e a procura por silêncio fez aumentar ainda mais a ira
Deitou-se e lembrou da única conversa que conseguiu acalmá-lo
Lembrou e sentiu saudade de sentir a respiração dela no seu rosto
A sala escura a agonia dupla que ali era compartilhada através de palavras calmas
Diferente do alvoroço das horas anteriores
Fechou os olhos e adormeceu pensando em como queria o calor daquela mão em seu rosto
Algumas horas depois o vento trouxe de presente para aquele coração aflito um cheiro
O melhor cheiro do mundo, que é singular e inesquecível
Com o cheiro veio a imagem, a imagem da pele dela, da mão macia dela
Sentiu o cheiro vir do vento e sentia come se ela o tocasse lento e carinhosamente
Pensou se em sua casa ela também pensava nos seus carinhos
Sentia ainda o aperto do abraço de despedida o que aumentou a saudade
Voltou a adormecer acariciado pelo vento e pelo perfume que tanto o inebria
E todo o sentimento de ódio virara calmaria, toda ira virara saudade
Todo carinho virara amor.

domingo, 19 de junho de 2011

Seu silêncio

Então ele procurou respostas no silêncio mais uma vez.
Procurou por muito tempo, andou por muito tempo nas ruas desta mesma cidade que no ultimo mês foi tão diferente.
Percebeu que já não reconhecia a parte feia da cidade, parecia que era tudo bonito, como Marie observou tudo no silêncio.
Começou a caminhar por caminhos dentro de si, dentro da sua mente e do seu peito querendo encontrar aquele velho amigo que sempre lhe dava bons conselhos, mas hoje seu amigo estava tão calado quanto ele.
Ficou sem graça de ficar em silêncio por tanto tempo perto da sua companhia física que caminhava junto com ele pelas ruas da cidade, tentou puxar assunto mas pelo que pareceu ele também estava tão calado quanto ele.
Nada de resposta, tudo de silêncio, nem a cidade falava, nem os carros, nem os pássaros nem nada.
Voltou pra casa e o silêncio ainda do lado, a troca de olhares confirmou que o silêncio se alastrara.
Cozinhou em silêncio, comeu em silêncio como um bom mineiro, sinal de comida boa.
Tentou conversar com o silêncio mas quando falou o silêncio se foi e ele ficou mais perdido ainda.
Hoje ele não tem quem ouvir, hoje ele não sabe o que falar e o barulho das teclas do teclado é tão mudo quanto tudo.
Hoje o silêncio dominou o dia, dominara a noite de passada e não deu se quer uma resposta válida pra tanta agonia.
O silêncio que tem sua própria beleza, uma beleza que não precisa ser lapidada, que é pura e que tem um nome tão único que ninguém conseguiria fazer igual.
Hoje ela é silêncio e é pra ele o que ninguém nunca conseguiu ser.
A maior diferença, que fez ele perceber o barulho e o silêncio como não percebia antes, que deu pra ele lentes pra que pudesse ver o mundo mais belo e mais silencioso.
Que dá pra ele respostas e que foge dele com elas.
Que faz a vida mais interessante.

Borboleta

Não volta atrás com uma decisão
Não corre atrás de um drama
Não enxuga suas lágrimas
Pois não as deixa cair
Deixa que os bons ventos a guiem
Já trocou de pele duas vezes
Conhece muito bem a dor
Sábia dos cheiros e das flores
Apaixonada por elas desde que nascera
Mas não as alcançava quando larva
E muito menos quando pupa
Agora desfruta todas as essências e sabores
Tímida, não costuma se exibir
O que causa curiosidade para quem percebe suas cores
Tem um certo reboliço para se livrar dos predadores
Gosta do sal das pedras, do doce das flores
E de voar, agora que já não precisa mais mudar
E que não precisa se mascarar
Voa sem nenhuma real pretensão
Exibe suas cores somente pra quem para pra ver.
E como disse antes
Deixa que os bons ventos a guiem
E independente do destino
Segue livre e não se importa em saber
Quanto tempo a vida vai durar
Somos movidos por palavras
Fomos unidos por palavras
Separamos e misturamos
Sentimento das palavras
Sendo ele agora uma
Sem deixar de ser sentimento
Palavras
Um dia a gente há de ser
Um micro conto

É composto por micro ideias

Micro inspirações

Micro sons

Micro palavras

Macro recepções
O mais engraçado é pensar que agente se conhece
Na verdade é engraçado pensar no quanto a gente não se conhece
Conheço você e sei quem você é a partir do que você é desde que te conheci.
Quantos vocês você já foi?
Quantos conheço e quantos não?
Quantos eus você conhece?
Quantos nós estão ocultos ou ficaram perdidos no passado?
Pra ser sincero não me importo muito com o que fui ou com quem você foi.
Mas me mata de curiosidade saber quem seremos ou quantos seremos.
Andou pela sala, viu tudo igual pela décima vez.
Na cozinha, abriu a geladeira e comeu a primeira coisa que encontrou.
Assistiu alguns vídeos na câmera até a bateria acabar.
Andou pela casa mais um pouco à procura de seu violão
Tocou algumas músicas bem baixinho, já era tarde e os vizinhos dormiam.
Mexeu no cabelo, bebeu água, pensou no cigarro, roeu unha, balançou os pés, andou pela casa,
Pegou o caderno, começou a escrever:

"Andou pela casa, viu tudo igual pela décima vez..."

Quando terminou a primeira frase, ainda estava olhando pro caderno, sentiu a presença de alguém lhe observando.
Criou coragem e resolveu rastrear a sua volta.
Havia mesmo alguém ali,
Era um velho conhecido dele.

_ Boa noite Tédio, quanto tempo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

De mãos dadas

Ela caminha cuidadosamente por um terreno que amedrontada já passou
Ele nu, se arrisca por uma via escura que outrora já tateou,
E isso depois que se encontraram.
Ele antes acostumado com a indiferença da sua vida acreditava ser feliz.
Fazia as coisas que julgava certo, procurava por coisas que não sabia e nunca encontrava.
Fez alguns poucos amigos e manteve outros poucos.
Tentou procurar algo que lhe interessava e se aprimorou muito pouco em pouquíssimas coisas.
Hoje nu, e de olhos fechados nesse caminho escuro sente-se mais confortável.
Inesplicavelmente em equilíbrio, e seguro.
Ela olha o caminho pelos dois,
Conhece os obstáculos e pede para ele ajuda quando é necessário,
Carrega consigo as chaves das portas que deseja abrir e quando decide, puxa-o pela mão.
Ele não esita e de olhos fechados segue, seguro e em equilíbrio.
Ambos sabem que logo encontrarão uma porta desconhecida,
Um caminho novo e mais escuro.
Mas agora o medo é algo que ficou pra trás.
As palavras medidas, nesse nível já não existem mais.
Nesses escuros corredores só sobra espaço para duas dualidades:
Confiança e sinceridade
E elas caminham lado a lado de mãos dadas.
Uma de olhos fechados e outra indicando o caminho.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A prendi a te gostar
Desta forma fico mais calmo
Sobra mais tempo pras coisas que importam.
Fizemos planos, vivemos sonhos
E agora de um jeito intenso, mas devagar
Vamos tentando montar o planejado.
Hoje senti certas coisas mais concretas
E isso me dá esperança de um futuro bom.
Agora te vejo mais mulher
Sinto que conheci a outra face do espelho
O que me faz pensar que não vejo a mesma imagem
Todo dia.
Tanto quanto eu, te vejo mais calma
Mais segura e a cada dia mais linda.
Cheguei a conclusão que sinto por você algo singular
Que nunca senti antes.
Tenho certeza que te quero por perto
Mesmo com as incertezas que nunca
Serão certas na vida.
Não tenho tanto medo agora
Importante isso, para minha, para a sua
Liberdade.
Hoje você é liberdade
Porquê somos livres para ser o que quisermos
De um para o outro
De um para os outros
De nós para um todo.
Em sonho te toco
E me sinto
Pra ti

sábado, 4 de junho de 2011

Hoje eu desejei que você entrasse por qualquer janela.
Quis brincar com você.
Me senti um idiota pegajoso.
Mas juro que queria te ver em qualquer janela.
Nem que não fosse você, fosse só imagem.
Hoje até agora foi o dia mais difícil,
Mas penso e me e me acalmo
Lembro que você pensa também. (tomara, tomara)
Queria eu pular em uma janela
Cair em qualquer lugar que eu sonhasse.
Poderia cair em um mundo mágico,
Ou na mais linda ilusão.
Poderia cair de ponta em alto mar,
Ou deitado no seu colo.
Sonharia com o pico de uma montanha,
Uma sala escura, um filme na Pato Preto.
Te pegaria pela mão,
E entraríamos em qualquer janela,
De tudo que quisermos.

Crônicas do Seu Cez

O chão parecia que tava tremendo
Me disseram que eles gastam é trêis minuto pra chegar
É aqueles jato a caça né?
Da onde a gente tava até lá era duas hora de carro,
E ês faz é em três minuto.
Também com o barui que aquilo faz
A gente nem vê nada,
Vê só o barui.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Não foi plágio, foi réplica. Mente. Não minto, é sério.

Lê o de ontem antes de ler o de hoje.
O nome hoje é Carinho.
Não se cria uma regra ao jogo até que alguma coisa incomode.
Até hoje não repetimos, mas hoje quero repetir.
Hoje a gripe me fez voltar pra casa mais cedo, queria carinho.
Hoje fiquei o dia inteiro querendo dar carinho, singularmente pra uma pessoa.
Hoje deu vontade de ficar sem ar de baixo da coberta, que me faz pensar carinhoso
Que senti falta da sua pele nas pontas dos meus dedos, carinho.
Carinho é uma palavra bonita e foi uma bela escolha,
De modo carinhoso senti um pedaço de você perto de mim,
Sair com a J. eh engraçado porque te sinto por perto.
E isso porque hoje foi o primeiro dia de carinhos indiretos,
E mesmo assim você me acariciou docemente.
Queria ultrapassar essas barreiras fisicamente humanas e te acariciar.
Estou tentando através de uma uma rede e ondas de acariciar metaforicamente com palavras.
Palavras que me fazem lembrar que carinho é uma palavra,
E que carinho hoje é seu nome.
Nome que é uma palavra mas que nem sempre traz conforto,
Como a palavra carinho traz.
Que repetir a palavra não era uma regra eu já sabia.
Repetir uma frase também não é. (ainda)
Certamente as duas serão, logo depois que eu acordar.
Mas enfim julgaria você o meu modo te de acariciar?
Hoje o texto ficou longo e me da a sensação de que não tinha muito a ser dito.
Mas a verdade carinho, é que tenho tanta a coisa a dizer mas tenho guardado
Pro abraço, pro carinho, pra você.
Já que ainda não é uma regra Carinho,

Obrigad"o" a você por ser um carinho, carinho.
Sonho hoje você é,
Porque Sandman levou três dias e três noites pra te criar,
Precisou do mais alto nível de concentração pra te desenhar os traços,
A personalidade, os desejos, atitudes e os sonhos.
Sonho é você porque é o meu sonho materializado,
É a musa de olhos grandes, é o carinho que tenho vontade de te fazer,
Sem querer nada em troca.
Você é sonho porque é misteriosamente a coisa mais linda humana,
É daqueles que a gente acorda e tenta dormir de novo pra voltar a sonhar,
Do tipo que a gente sonha quando criança e não esquece,
Sonho que a gente sente saudade.
É a vida da mente esculpida simples e singular por si.
É o desejo de ser, de ter e de criar.
Você é sonho porque te crio,
E porque você insiste em ser
Tudo aquilo que eu sonhei.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Música #2

Não se passa o tempo
São só seis dias
Foi você quem disse
Eu aceitei

Aceitei o tempo
E seus contratempos
Agora tudo tranquilo
Não volto atrás

Eu só queria encontrar
Uma palavra, um lugar
Que fizesse você sorrir

E já são seis da manhã
Um violino e o cheiro de café
Nós dois escondidos na neblina

Entendi meus erros
Não vou repetir
Com você desde o início
Foi diferente

Conversar calados
O toque da sua mão
Os olhos, seu abraço
Saudade

Eu só queria buscar
Um apelido inventar
Me apaixonar por você todo dia

Eu só queria voltar
Pra nossa cabana, o divã
Pras conversas, pros filmes, trabalho.

Me lembro, Te lembro, não esqueço.

Hoje decidi que você seria Lembrança
Acho que você não gostou muito da ideia.
Mas a questão é que pensei nessa palavra
Porque você é sempre as melhores delas
Você é a lembrança que eu sempre quero ter
É a lembrança mais gostosa
Lembro do cheiro, do gosto, do toque, do rosto
Hoje você é Lembrança
E é aquela que eu nunca vou esquecer.
Hoje você é minha mente
E tudo o que eu consigo anexar através dela em você
Cada detalhe, cada sonho, cada medo, cada dor de estômago.
Hoje eu lembrei de você o dia inteiro, ontem também
E amanhã, amanhã você será outra coisa
Mas não deixará de ser nunca
Lembrança.