domingo, 19 de junho de 2011

Seu silêncio

Então ele procurou respostas no silêncio mais uma vez.
Procurou por muito tempo, andou por muito tempo nas ruas desta mesma cidade que no ultimo mês foi tão diferente.
Percebeu que já não reconhecia a parte feia da cidade, parecia que era tudo bonito, como Marie observou tudo no silêncio.
Começou a caminhar por caminhos dentro de si, dentro da sua mente e do seu peito querendo encontrar aquele velho amigo que sempre lhe dava bons conselhos, mas hoje seu amigo estava tão calado quanto ele.
Ficou sem graça de ficar em silêncio por tanto tempo perto da sua companhia física que caminhava junto com ele pelas ruas da cidade, tentou puxar assunto mas pelo que pareceu ele também estava tão calado quanto ele.
Nada de resposta, tudo de silêncio, nem a cidade falava, nem os carros, nem os pássaros nem nada.
Voltou pra casa e o silêncio ainda do lado, a troca de olhares confirmou que o silêncio se alastrara.
Cozinhou em silêncio, comeu em silêncio como um bom mineiro, sinal de comida boa.
Tentou conversar com o silêncio mas quando falou o silêncio se foi e ele ficou mais perdido ainda.
Hoje ele não tem quem ouvir, hoje ele não sabe o que falar e o barulho das teclas do teclado é tão mudo quanto tudo.
Hoje o silêncio dominou o dia, dominara a noite de passada e não deu se quer uma resposta válida pra tanta agonia.
O silêncio que tem sua própria beleza, uma beleza que não precisa ser lapidada, que é pura e que tem um nome tão único que ninguém conseguiria fazer igual.
Hoje ela é silêncio e é pra ele o que ninguém nunca conseguiu ser.
A maior diferença, que fez ele perceber o barulho e o silêncio como não percebia antes, que deu pra ele lentes pra que pudesse ver o mundo mais belo e mais silencioso.
Que dá pra ele respostas e que foge dele com elas.
Que faz a vida mais interessante.

2 comentários:

  1. To arrepiado cara. Lindo texto e me desculpa qualquer coisa. Pode contar comigo sempre.
    Amo vc Pedrão!!!

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