Tento repreender essa dor estranha, essa azia da alma, o vômito involuntário.
Tenho feito tudo certo, me alimentado melhor, praticado exercícios, estudado mais, amado, sonhado.
Ando até fazendo coisas que nunca pensei em fazer mas com uma certeza que chega a ser maior que minhas recentes desistências. É tentador esse desejo de se tornar homem, de tomar responsabilidade de fazer as coisas certas, mas tentador também é a vontade de voltar. O medo de ser um objeto estranho em certos locais tem me afastado de muita coisa, inclusive do passado que sempre andou tão próximo de mim, o futuro que agora parece mais próximo também tem me mostrado alguns estados árduos do novo, assim como solidões desconhecidas. Meu desejo maior é não parecer egoísta, mas ao mesmo tempo tem sido algo impossível. Minhas tentativas de ser maduro tem ido por água à baixo abraçadas aos amores com minha inspiração, estou do jeito mais metafórico e lindo no meio do olho do furação, na calmaria, onde nada acontece, nada muda, nada atinge, nada volta, mas com a tormenta muito próxima.
Minhas decisões tem caráter e cicatrizes eternas, eu sei, mas os papos a dois ainda parecem ótimos, pelo menos parecem. Toda aquela idéia de liberdade, aquela vida nova que me propus no inicio do ano foi enterrada pela realidade da minha vida e por um amor sincero que veio pra me colocar os pés no chão, ou melhor, abaixo dele, porquê é aqui que me protejo desse furação, nesse abrigo, que ao mesmo tempo me causa essa azia, o vômito involuntário. Então toda a minha segurança, todas minhas certezas e vontades, inclusive meu desapego (que parecia ser uma característica tão forte) também se foram.
O agora é uma idéia insólita, que na verdade queria ser uma árvore de raízes muito fortes, capaz de ter paciência, saber ser sozinho, manter o vínculo com essa profundidade do abrigo, manter outra parte no céu que materializa inspiração, pássaros e cores. Queria também passar, não ileso, mas vivo e forte por essa tormenta que parece tão próxima.
A verdade é essa: as árvores sabem ser felizes.
Já me agradei muito do título.Mais uma vez, parabéns! :)
ResponderExcluirSaudade de você.
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