Entrou mais uma vez naquele ônibus e rezou para que ele fosse o mais rápido possível, sem imprevistos. Comprou água, bebeu a água, em toda parada desceu pra fumar um cigarro, tentou se distrair com a paisagem, tentou se distrair com os bebês ali, tentou ler alguma coisa e descobriu que a água que bebia era levemente radioativa, teve medo de morrer antes de chegar, comeu as unhas da mão esquerda, tirou a blusa, vestiu a blusa, mexeu no cabelo, arrumou o cabelo, o tempo não passou e acabou que ele dormiu.
Sonhou com o encontro e que veria ela assim que chegasse, sonhou que ela estava também tão ansiosa quanto ele, sonhou com tudo diferente, o mundo tinha cores diferentes, tentou sair do sonho e não conseguiu, teve medo de ser um pesadelo, mas como não conseguia acordar se deixou levar, seu corpo deu um grande baque, acordou assustado e quando abriu os olhos viu as vendas de artesanato e a sequência de lombadas, havia chegado.
Saiu da rodoviária correndo com duas malas enormes, um de seus cadarços desamarrou, parou amarrou o cadarço e voltou a correr, agora era sua calça que entrava de baixo do tênis, parou dobrou a calça, voltou a correr, umas das malas virou e caiu, pegou a mala e voltou a correr, quando estava atravessando o semáforo o outro cadarço desamarrou, parou e amarrou, voltou a correr, no morro não dava, quase chorou, estava cansado, mas não desistiu.
Chegou em casa pegou a chave na vizinha e entrou, finalmente estava em casa, ia poder falar com ela, logo! Ligou o computador, mas ele nunca ajuda, abriu a casa, entrou na Internet, viu ela online, quando foi falar com ela, ela estava no banho.
Espere.
O resto eu ainda não sei, é sério.
belezinha
ResponderExcluirêee ansiedade que atormenta o coração de muitos! Principalmente daqueles que têm saudade! Muito bom Pedro, parabéns.
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