Tem coisas que a vida não muda, tem coisas que a gente não quer mudar.
Como há muito tempo deitados frente a frente, algumas conversas que não tivemos e deveria ter sido assim. Dessa vez não aconteceu e mesmo assim não esquecerei jamais.
Hoje antes de acordar, sonhava que eu acordava, no sonho eram 14:15 e eu sentia no estômago uma dor de quem dormiu muito, tentava levantar e não conseguia mexer sequer um músculo. Ainda antes de acordar uma voz me convidara ao dia, uma voz rouca e baixa que sussurrava no pé do meu ouvido um carinhoso "Ei." e tornou-se a repetir, "Ei." e foi então que eu acordei, olhei no relógio e eram 11:00 da manhã, foi um bom horário pra se levantar, pra se dar conta que ainda lhe resta um tempo pra fazer as coisas, o problema é que minha mente ficou na cama, como que pedindo ao corpo pra continuarem juntos ali pra que pudessem sonhar mais um pouco. Sonho essa palavra que eu já conheço a tanto tempo e que ainda não conheci nenhum ser que o dominasse a ponto de conseguir vê-lo em realidade, meu sonho é muito parecido com o dos humanos, se diferencia apenas pelo fato de os humanos chamarem os sonhos ruins de "sonhos ruins" ou "pesadelos" e não apenas de sonho.
Pegarei o fio da conversa e explicarei depois porque falei de sonhos, mas agora irei ao meu ponto central, a humanidade, dessa vez conheci na humanidade algo que de onde eu venho não se dá mais valor, a maldade, mas não é qualquer maldade que eu to falando, entre os humanos faltam muitas palavras e aqui terei de detalhar melhor minha ideia, existem vários níveis de maldade, mas aqui na terra estão tão acostumados com a presença delas que nem se ocuparam a lhe darem seus devidos nomes, e sim nomeiam o todo mal de maldade. A maldade que eu vivenciei é a pior de todas, é a que no meu mundo foi extinta há milênios pois percebeu-se que não se ganharia nada com ela, essa maldade é a maldade em forma crua, é a feita simples e unicamente pelo motivo de colocar outro ser para baixo, para que o feitor se sinta superior, para que o alvo se rebaixe ao status de "não ser". Essa maldade é um sentimento tão perigoso que já vi seres que a utilizavam definharem na própria moléstia. Ligando tudo isso a tudo aquilo que falei, de onde eu venho a maldade e todos os seus níveis, não existem porquê aprendemos usar os sonhos, aprendemos a fugir de todo o mal dos chamados aqui "sonhos ruins" e passamos a entender muito bem o que não queríamos, a maldade é um monstro que deve ser guardado à onze chaves dentro de si. E com um pouco de "sonho bom" a gente a mantém ali sem dor, pois assim nos preocupamos somente com o que nos faz bem, e não com o desejo de certa forma de se sentir "superior" ou de fazer da outra pessoa um "não ser".
Tem coisas que a vida não muda, tem coisas que a gente quer mudar.
Quero que os "sonhos ruins" sejam usados como lição de que a dor não vale a pena, principalmente a causada nos outros.
Quero que os "sonhos bons" preencham a vida da humanidade para que se possa acreditar na esperança, no amor, na vida e não na realidade.
Quero que a maldade seja extinta e aprisionada no interior de cada um, que cada um preocupe-se em cuidar da sua, para que não se perca tempo tendo que se preocupar com a maldade alheia, ou com a que nos causam.
Quero aqui falar de novo sobre a "loucura" humana que tanto me fascina, quero ainda que a loucura seja posto como estado interminável de sonho e que o respeito a essas pessoas sejam dados como se dá a um de seus deuses, pois são dos loucos a posse eterna do sonho, seja "bom" ou "ruim".
Não quero mudar o rumo deste texto e isso eu percebi que posso fazer sempre.
Quero acreditar que não nos machucaremos mais com a maldade vinda de fora, que a dor sentimental se extinga junto com a a maldade, quero que o sentimento de injustiça seja uma coisa compartilhada e não individual, para que a maldade não tenha espaço para um luta frente a frente.
Quero acreditar no amanhã sem a necessidade de fazer que o outro sinta a dor que sinto agora e que a dor seja aceita como estagio de aprendizado pessoal e não como uma bomba de estilhaços que devemos ferir a qualquer um que se aproxima.
Quero acreditar na humanidade, no sonho e na maldade como personagens de um grande filme maniqueísta em que o sonho vença a maldade e no final reine eternamente sobre os homens.
Quero dizer ainda mais.
Se isso tudo é sério, é porquê nunca foi uma brincadeira.
"Terceira carta da séries de cartas de Oicani para os homens."
Simples, sensível, delicado e ácido. Grande texto, mais uma vez. Lindo pe
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