quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O bom do ruim

Ando não conseguindo cumprir com nada que me propus
Ando tomando uma rasteira atrás da outra
Tenho decepcionado os outros e os planos
Mas no meio disso tudo emana tanta energia boa
Continua os planos e o resto que me propus
Continua os sorrisos e as surpresas
Continua a saudade, continua as coisas rápidas
O aprendizado e a ajuda que recebo
Continua a música e os sonhos
Continua eu, a pato, as gerais,
Os puxões de orelha, o telefone,
Você o horizonte e todos os horários de almoço combinados.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ao apelido patentiado

Subiu no palco por um instante
Pra tentar ser o personagem
Aquele do instante, amante
Que rouba o fôlego de quem vê.
Em pensamento somente,
Já que no agora não poderia,
Impossível, não vives quem sonha
Aceita o leve fardo de sua vida.
Ela, já escolhera os passos não dados
Se livrou de alguns retratos, pecados
Se apegou a se aprimorar, com um sorriso
Leve e pronto, pra cada encontro.
Conversa com o social, real, animal
Cria, inventa, corre, briga
Luta, consegue, erra, entende
Na necessidade da mente, não mente
Sonha, sincera com o que quer
É brava e linda, tímida e não
Não quer os olho fixos a lhe rastrear
As pintas, as cicatrizes, na pele, interna
Não quer o feio, o mala, o paia,
Novamente não quer os olhos fixos
Fechados, que sonham acordados
Com o escuro que lhe permite ver com as mãos
Calmas e suaves que deslizam até o não
Não pode! É regra, sem mais
Sem mais, bem que queria
Sem mais saudade, sem mais espera,
Sem mais dor, nas costas
Sem Carnaval, sem mais semanas
Sem calor, sem mosquitos
Sem tempo para o domingo
Ah...
Porquê esse sim merecia ser infinito!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Memórias paulistas de um amor pra todo o mundo

Sabe que você faz nascer em mim
Um amor relutante, estonteante
Que me enche os meios, arrepia os pêlos
Que eu aqui em seu seio, me esqueço
Não creio, não sou, não tenho
Que nos seus braços enlaço, me envolvo
Fico, espero, e o gozo é o sorriso póstumo
Profano e inocente, mas verdadeiro só
Somente a eternidade que lhe escapa a ser direta
Isso porquê do amor nada seria não fosse a saudade
Saudade do que já foi, passou
Para aí sim, ser verdadeiro pra sempre
Na lembrança de quem ama.


"É triste pensar que ainda usa-se conjugar o verbo Amar no passado"

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Particular

Masturbo a inconsciência dos meus atos
No seu corpo que eu vejo e perdi
Te quero, seu cheiro, seu ódio, meu ópio
Me perco nos cinzas, nas pratas da cidade
Estão sempre tão seguros em seus carros
Quero ver quem tem a capacidade
De atravessar as paredes coloridas
Da minha bolha de sabão.
E se manter dentro dela!
Já que está muito longe do chão, do são, do não.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sob as três

Passado, silêncio, novo, saudade,
Na casa, o frio e a realidade invade
Na cabeça os restos trituram tudo
Descartam no peito, sacodem o sujeito
Mas o novo acalma, ilumina, sorri
Convida e no colo eu deito
Pensando que o melhor a ser feito
É esperar passar.
Mas o novo não limpa
E a sujeira estagnada do passado triturado
Bem do jeito mais quadrado
É que resolve ficar.
Passada a doença da mágoa
Que demora a cura e desgasta
E por cima ainda uma cicatriz.
Que há de se curar com a mistura
Do jeito mais estranho e com a ajuda
Do passado e do novo
Que juntando nesse engodo
Deixa a vida numa era mais feliz,
Que por enquanto nos meus 23 anos de existência
Não passaram de um mês
Mas que quando vêm, toda vez
Deixa uma marquinha de vivência.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Nem a vida

A vida aumenta e preenche aos poucos o espaço vazio que me habita
Vazio que aumenta se acaso seja atingido por uma pergunta do tipo:
E o seu futuro?
Tento ver beleza no meu jeito assim de sentir dor
Tento ver inocência nas atitudes bêbadas do amor
Tento ver amor nos colos de não ser eu
Nem eu mesmo,
Vejo copos vazios no vazio que me habita
E que quando volto pra casa se enche de vida
De vida, que eu nem quero mesmo saber o que vai ser
De mim, ou nada, que dá quase no mesmo lugar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O velho ano novo.

O ano novo veio repleto de coisas velhas,
Memórias, saudades, espelhos, pessoas.
Veio com algumas coisas novas,
Objetos, ideias e uma vidinha,
Que eu passo o dia inteiro a observar.
Observo tanto que já começo a entender as manias,
Os medos, as carícias, os choros.
Essa vidinha peluda e desengonçada
Brincalhona, gostosa, com pintas pretas enormes
Manchando o branco predominante.
Acontece que essa vidinha também sente saudade
Sente saudade de você e isso eu vejo.
Ela nem ronrona mais.
Nós sabemos que ela há de matar essa saudade
Assim como sabemos que esse ano começou com muita coisa velha pra se jogar fora
E algumas coisas novas pra se viver, admirar.
E é com esse sentimento de vida nova
Que eu espero que os ventos do ano novo encham nossas casas de vida
De sentimentos bons, de felicidade, de novidade.
Assim como a vida, estou cheio de coisas velhas,
Algumas coisas novas e saudade, de verdade,
Mesmo sabendo que tudo está no seu lugar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A saudade sem fim

Mas me dá uma dor no peito
Com esse coração todo sem jeito
De não ter você aqui
E eu sei que com você longe
A felicidade se esconde
E a gente força pra sorrir
Mas logo chega o dia claro
As bocas amam com os lábios
Depois que vejo você vir

Enquanto esse dia não vem
E facilidade não tem
Eu sei que você quer chorar
Mas quando paro e penso
Me jogo todinho no vento
E vou aí te abraçar
Pega e segura esse abraço
Que o vento forma no laço
E ouve esse cochichar

Que o vento me leva com ele
E o sussurro que sai dele
É o mais sincero e molambo
Que você sabe e sente de mim
Que com todos esses defeitos assim
Fui seu o mais seu do ano
E quando as palavras saem facinho
Mais que da garrafa o vinho
Só querem dizer eu te amo

Acaba que a falta que você me faz
É bem menor incapaz
Do que o sentimento que a gente faz
Crescer, amadurecer, dentro de nós.


Nunca quis tanto você por perto
Nunca te amei tanto assim
Se o vento entregar o abraço
Abraça ele pra mim.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sonho

E hoje que eu tive um sonho, que foi um sonho esquisito
Me deixou foi um bocado aflito, que tinha um monte de mosquito
Que pra matá nun corria nem risco, caus que os bixo era tão arisco
Aquilo me dava uma raiva, que não tinha o que fazê.
Num é que os bichinho se transforma num rapaz
Que se chamava de poeta dos poetas, que tinha vindo das trevas
E vinha dar um recado pra algum desocupado e que viera de Satanaz
Justo pra eu que mesmo no sonho sou rapaz medonho
Que mesmo o poeta que veio das trevas veio dá o recado pra mim
O recado era dos muito estranho e lembro que dizia assim:
"Que fique dito e dito por mim que de agora pra frente
Decreto à poesia seu eterno fim!"
Depois de lido o recado, do jeito mais desesperado
Foi que acordei do sonho em mim
Com o recado na cabeça e a tristeza no corpo,
Que adentrei o bar do Bosco e passei o recado também
Bosco que era poeta de muitas linhas, riu da conversa
Afiou bem a prosa fina e quando preparou a sua rima
Sua língua que era uma obra prima se enrolou todinha e não quis falar
Daí foi que o desespero tomou conta, juntô foi eu e o Bosco no pé da santa pra rezar.
E não é que nesse momento entra o doido José Bento
Logo atrás o seu jumento que berrava tão certinho que parecia cantar
E no meio da cantoria o doido me grita "IHA!" e começa a resmungar
"Eu sei bem o que acontece, que na véspera da quermece, Satanaz vem atentá
Ele veio e veio cedo, geralmente bota medo e gosta de uns verso roubar."
E foi eu no desespero que larguei o pé da santa e perguntei logo pro doido:
"Me diz vai meu amigo, como faz pra nós sará?"
E ele me respondeu com o mais longo dos silêncios que alguém pode calar
Logo nisso entendi que pra rima eu conseguir, tinha que o jumento cantar.
Lhe dei um puxão no rabo, que com o menor estrago, fez o bichinho berrar
No meio daquele barulho todo, foi eu mais o Bosco e começamos a rimar
A rima foi justinha, tão certinha e tão rápida
Que no final de cada linha já não tinha o que lembrar.
E foi num rebuliço desses, rimando com um rabo na mão
Eu, Zé Bento, Bosco e o jumento Tião
Junto na poesia, no canto e no recado, que nóis mando direto pro diabo
E que dizia mais ou menos assim:


"In, quem é que disse que o senhor poder calar
On, comé que pode o senhor nos maltratar
In, a gente é pobre não tem como piorar
On, na poesia é que a gente se encontra
Intão intenda que a rima que nóis faz
Ontem de ontem a gente nem lembra mais
In o senhor que nos erre por favor
Onça é que gosta de vara curta dotor" ♫

Traz contigo

Ela desabrocha em mim uma flor
Que pequenininha, mudou de tamanho e ganhou cor.
Ela mora em outro lugar, tão longe, chega que se esconde
Que mesmo que passasse por dez mil montes
Há de ainda demorar a chegar.
Ela é mulher, é menina, é outra menina, é outra mulher
E nos dias de intervenção ainda pode ser outra mulher e outra menina.
Ela conversa, sorri, costura
Faz da mão na máquina e quando não tem
Mete a mão na agulha.
Ela vez em tempo faz o que eu faço
Tem vez que não faz e eu desgosto
Mas esse desgosto de nada, faz nem cósquinha no gosto que eu tenho.
Porquê vô te contar, que beleza maior prêsses olhos não tem
E quando a tristeza bate, já logo convido ela pra entrar
Que logo mais quando meu bem chegar
Sei muito que sei o que ela há de carregar
E que junto com ela a felicidade vem.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Passarinho

E foi passarinho que deixou o ninho
Os olhos rasinhos e se fez partir.
E horas e horas de viagem, barulho
Frio, cidade, garagem e no momento sorri,
Mas passarinho que não mais sentia aquela casa
Ficou apertada e quis voltar.
O tempo e a vida combinam a trama
E mesmo sem drama ela se fez chorar.
Passarinho era forte mas no coração um corte
Que fere outra pessoa sem sorte, ai que doía
E do outro lado insano, do outro corte o dono
Que junto sofria e que sem passarinho não queria.
Mas essa outra pessoa que lhe queria o bem
Confessou a passarinho que o tempo não lhe servia
E que uma vida era pouco, mesquinharia
Pra mostrar que o amor que sentia não era deveras bobo.
E passarinho se olhar prêsses versos pobres
Que não são de ninguém, mas são pra você
E que é pra quando ver, ver que são de verdade
Que falam de amor e de saudade
Mas que principalmente são pra arrancar um sorriso docê.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As Artérias

O tempo passa e as pessoas acabam esquecendo das coisas mais simples.
Ando calado e superficial por causa das complicações das coisas simples, as pessoas andam tão inseguras, frágeis, ansiosas, agressivas.
Chega um ponto que nada mais precisa ser dito, ou explicado, sobre a vida sobre o amor por exemplo.
Não há mais o que se falar sobre o amor, não tem que se explicar, mas anda tão difícil fechar os olhos e lembrar da pureza só de sentir que a necessidade da prova vence o o abraço.
Não consigo nem mesmo concluir o que escrever, nem mesmo me expressar, não consigo mais acompanhar o ritmo de como eu queria que a minha escrita funcionasse.
Tem muita sujeira presa nos encanamentos do sentir.
As palavras tomaram um espaço onde elas não cabiam, e a prisão do sentir impediu o fluxo das palavras e tudo que conseguimos foi perder os dois.