segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Vida
No seu seio me acalento
Mas se movia
No seu sonho me invento
Mas se esquecia
Que no momento
Tenso, singular, inverso do tempo
Penso
Que na sua boca me afogo
Morro
E morrer não traz sossego
Esquecer não tira o medo
O paralelo que se cruza no infinito
É a vontade e a esperança
Que de tão longe, o tempo
Faz da vida um sonho
Que não se esquece

Fica na lembrança

Mas que nunca se realiza

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Fazendo amor #1

Carlos e Clara tiveram um filha
Clara e Carlos se amaram, mas passou
Mas a pequena Lívia?
Um dia ainda vai entender desse amor

Carlos ama e é amado por Ofélia
Ofélia que teve um filho com ninguém
O pequeno Lucas que antes não podia
Agora tem resposta para o "quem"

Clara teve raiva de Carlos
E não foi sem razão 
Afinal, todos que um dia nasceram homem
Um dia omi serão

Mas Carlos não era de todo mal
E compreendia seus erros
Ofélia era forte e entendida
E acreditou nos seus acertos
                                             [Pro restos dos dias e além

Se isso tudo é da conta de alguém
Só cabe a Ofélia, Carlos e Clara
E se puderam todos ser felizes
Tá tudo bem.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Acontece
Que são minhas
Suas lágrimas no papel
Que você esqueceu em cima da cama

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Um sorri

Ah, estrela malvada
Dançarina
Que vive no peito de minha amada
Tem sido dela a sina
Imbróglio de sentir e ser, cercada
De portas fechadas
Menina

Ah, estrela sem luz
Que não vejo
E ai de você se eu visse
Pudesse tocar, sentisse
No escuro que és, eu te mataria
De cócegas

Ah, bagunça danada
Estrela malvada
Que só vive de um monte de coisa
Misturada
E nessa receita tem eu
Eu sei

Ah, estrela maldita
Mal dizeres direi de tu
Sabendo que direi de mim
E quem sabe assim
Entenda como te tirar de lá
E mesmo que te coloque aqui
Arranco dela junto
Um sorrir

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Árvore

As raízes da sua ausência se alimentam em mim
E dessa seiva nasce flores
Os ventos que te trazem, ah, têm o cheiro da primavera
Que cheira saudade
Tem pólen no ar que sai dessa mistura de nós dois
Amarelo e fértil da vontade
E o que seria disso tudo não fosse o sol?
Luz no verde de nossa pele
Água que sacia e terra que constrói aos abraços
O tronco
Que por si é estrutura e firme aguenta tempestades
E tudo
Não é nada se não é a gente pra criar
A gente cria
Pega terra e sol e água e pólen e vento
E se cria
Transforma isso naquilo que a gente gosta
As vezes tudo isso fica longe
Mas daí o vento me traz o cheiro da primavera
Que pra saber te cheirou antes
E eu fico aqui, árvore
Saudade é árvore
Nós somos
E parece que tudo venta em volta

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Fede

Exala de mim meu odor mais odioso
De macho
Esfrego, lavo, me seco, não sai.
Macho fede mais que bosta
Esfrego, lavo, me seco, não sai.
Daí ela me cheira e fala que é o comum.
Me abraça, me aperta, me mostra
Acha o ralo fedorento.
Como pode ser comum? Fede tanto!
Sai de mim o cheiro que deveria ser...
Insuportável pra ela.
Comum... Como?
Ela me abraça, me aperta, me mostra
Meu ralo é branco, é hétero e é cis
Cheira comum...
Comum... Como?
Esfrego, lavo, me seco, não sai!!!
Ela cansada, me abraça, me aperta, me mostra
Ela exausta, mas paciente, pega o livro, a vida
Me esfrega, me lava, me seca e o fedor sai..
Sai... Por hora.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Na natureza de amar

Terra parece coisa firme, mas não é
É como o vidro que parece sólido, mas não é
A natureza muda a terra, mexe, quebra, tira
Assim é o amor

O amor é terra e é natureza
É firme e não é, se mexe, se muda
Da terra e da água, nasce vida
E o amor no amor se reaviva

Tem hora que chove demais e a terra lava
Tem vez que a terra se assenta e a vida desaba
E de tanto fogo e fogo, lava
Lava é terra

Podemos tentar não ser terra nem natureza
Mas percebi, talvez tarde
Que não ser é simplesmente não ser
Não há mar, não é nada

Sendo assim, se chove(o) me molho
Em mim, nasço, vida, cresço
Se estremece(ço), quebro, caio
Levanto, remonto ou deito

Se é fogo e fogo, derreto(e)
Mergulho, me queimo
Ser assim flui em mim tudo que é seu
E meu e nosso

E amo.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sonho, lúcido

Em meio ao caos daqueles caminhos
Clareou-se as vistas, os destinos
E o verde do violinista
É onde vivo
Onde era a certeza da dúvida
Agora é a dúvida do certo
Até a tristeza sorriu
No verso do resto
Tá, amar a vida é bom
E os barulhos dos pesadelos
Agora, sem som
Não trazem medo
No lugar disso tudo, soa música
De todos os tipos e estilos
Uma jukebox astuta
Que canta aos meus ouvidos
Entre as lágrimas, um sorriso
Do desespero, apenas o desejo
E mesmo depois do belisco
Ai!
Olha, sou eu. E vivo!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Apagar os rastros

"E cuidado, quando pensares em morrer
para que nenhuma lápide fique de pé revelando onde jazes
com inscrições claras que te denunciem
e o ano de tua morte que te entregue!
Ainda uma vez:
Apaga os rastros!" - Bertold Brecht
(...)
Como fugir do desejo burguês de deixar marcas, de deixar rastros? Como entender que na vida nunca somos um, mas uns?
Somos um bando de nós mesmos, cheios de outras vidas dentro de nós.
Dentro dessas vitalidades, há a necessidade de sobreviver, e sobrevivemos... Seguimos pisando e matando o que fomos há 1 segundo atrás, ou o que andamos sendo há 16 anos.
(...)
Vejo seus passos bem menos do que você vê os meus. 
Ouço muitas prontas verdades, não as digo, não as tenho.
Meus rastros e passos na areia são claros e quase indissolúveis.
Os seus? Não vejo. Sei bem que passou por aqui, mas não sei de onde veio, pra onde foi. Tenho suposições da sua trilha, mas não mais posso dizer se foi um sonho ou se é uma lembrança.
(...)
Talvez a verdade esteja ligada ao sumiço, talvez a dúvida esteja aos abraços com a presença.
(...)
Apagar os rastros é a maneira mais fácil, sutil e talvez sensata de viver a verdade... Resistir é a maneira mais agressiva, tortuosa e insana de não querer a verdade, mas sim o sentir. Resistir é deixar pra traz o traço do seu aprendizado. É não negar quantos vocês você matou pra chegar aqui.
(...)
Ela procura o sólido, mas some como o ar, tenta ser estática, mas se move feito água.
(...)
Que seja assim o adeus. 
Despeço-me da palavra que se foi e levou com ela a dor e a chama.
Que nós questionemos até o mar. Que o oceano seja dúvida.
Que o aprendizado traga mais perguntas.
Que a água traga nos peixes do rio a paz e o questionamento.
E essa verdade que procuram?
Eu dispenso.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Poeira celeste

A areia na estrada faz um movimento bonito
Os carros passam e ela se move como numa dança de pássaros
Um inusitado e inconsciente tango de leveza e peso
Nem tão pesada pra se estagnar, nem tão leve pra se perder
Paira, flutua e conforme os carrostempo passam, dança

Corpos celestes promovem dança de luz
Se um deles é luz, estrela
O outro é satélite, espelho

O sentimento é um planeta iluminado:

Uma das faces tem a luz do dia
A outra a luz que irradia do dia
Na lua

O sentimento é alimentado de luz
E quando a dança é do tamanho certo
Não há espaço mal iluminado

Nesse reino há espaço para tudo
E os corpos dançam juntos
Seja em forma de areia ou de luz

Somos assim, do mesmo tamanho.