quinta-feira, 16 de julho de 2015

Fede

Exala de mim meu odor mais odioso
De macho
Esfrego, lavo, me seco, não sai.
Macho fede mais que bosta
Esfrego, lavo, me seco, não sai.
Daí ela me cheira e fala que é o comum.
Me abraça, me aperta, me mostra
Acha o ralo fedorento.
Como pode ser comum? Fede tanto!
Sai de mim o cheiro que deveria ser...
Insuportável pra ela.
Comum... Como?
Ela me abraça, me aperta, me mostra
Meu ralo é branco, é hétero e é cis
Cheira comum...
Comum... Como?
Esfrego, lavo, me seco, não sai!!!
Ela cansada, me abraça, me aperta, me mostra
Ela exausta, mas paciente, pega o livro, a vida
Me esfrega, me lava, me seca e o fedor sai..
Sai... Por hora.

Um comentário:

  1. "É como se fosse um círculo vicioso:
    Eu vejo a bunda, que me alimenta.
    O preço pra poder ver a bunda é comer o lixo daquela lanchonete.
    E a comida sempre cai mal. Sendo assim, o ralo fede."

    In: "O Cheiro do Ralo", de Lourenço Mutarelli.

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