Certo tipo de sentimento,
Quando corre, corre, corre e já não tem mais fôlego
Nem estômago, nem pulmão (semi-literalmente)
Olhei de perto lábios lindos, senti o suor e carinho
Abraçei, fui abraçado, ganhei ombro, dei ombro
Ouvi e fiz ouvirem, rodaram, cansei, cheguei,
Comi (muito), cansei, digito (agora).
Irei deitar, pensar...
Dormir e não lembrar.
domingo, 9 de janeiro de 2011
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Mesmo Céu
Hoje pensei em te perguntar quantos anos se passaram desde o primeiro beijo.
Minha memória falha não me permitiu me encontrar anos atrás...
Pensei sobre quantas vezes desde então dormimos na mesma cama.
Pensei em quantas vezes discutimos, em todos os sorrisos e conquistas.
Envelhecemos, nos perdemos e nos encontramos novamente.
Hoje tudo é um pouco mais difícil, ouvir perfeitamente os pássaros cantarem...
Ver o brilho frenético e multicor de cada estrela, caminhar de mãos dadas.
Vi o sol nascer e pensei sobre cada dia escuro, cada noite chuvosa,
A apesar de pensar nisso tudo e lembrar-me de algumas grandes aventuras penso no nosso limite.
Dissemos um dia que "o céu era o limite" e pense bem o limite está bem próximo.
De certa forma toda essa grandeza acaba de me estrangular, o nosso limite é pequeno e limitado.
Porquê tudo isso, tudo isso, não passa de um mesmo sol, uma mesma lua, um mesmo céu que se repete a cada dia.
E nós? Envelhecemos.
Minha memória falha não me permitiu me encontrar anos atrás...
Pensei sobre quantas vezes desde então dormimos na mesma cama.
Pensei em quantas vezes discutimos, em todos os sorrisos e conquistas.
Envelhecemos, nos perdemos e nos encontramos novamente.
Hoje tudo é um pouco mais difícil, ouvir perfeitamente os pássaros cantarem...
Ver o brilho frenético e multicor de cada estrela, caminhar de mãos dadas.
Vi o sol nascer e pensei sobre cada dia escuro, cada noite chuvosa,
A apesar de pensar nisso tudo e lembrar-me de algumas grandes aventuras penso no nosso limite.
Dissemos um dia que "o céu era o limite" e pense bem o limite está bem próximo.
De certa forma toda essa grandeza acaba de me estrangular, o nosso limite é pequeno e limitado.
Porquê tudo isso, tudo isso, não passa de um mesmo sol, uma mesma lua, um mesmo céu que se repete a cada dia.
E nós? Envelhecemos.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Me encontra
A simplicidade de tão dominante, lhe torna complexa e indecifrável.
Os olhos de tão completos e brilhantes, te fecham e te protegem do sofrimento.
O sorriso te afasta de mim, simplesmente pelo meu medo de perdê-lo, de roubá-lo.
Seu espírito de tão puro, me faz estremecer.
Eu sei que você já se apaixonou, já sofreu, já amou, reergueu-se, lutou e provou para todos a sua volta que você é forte, chorou e mostrou que a tristeza é uma parte de todos, vibrou pela única e imensa vontade de viver.
E vive, vive por um propósito que talvez nem você saiba, vive e corre atrás da vida, do mesmo modo, que a cada dia ela foge um pouco de você, assim como foge de todos nós.
Mas próximo de você isso tudo parece tão simples, a vontade se foca em um único desejo, que é impossível, talvez alcançável, mas prefiro ficar na minha utopia, no meu platonismo, enquanto você continua a olhar, a sorrir, a viver, e a nos encontrar.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Alô Alô!
Galera, vou fugir um pouco aqui das reflexões e agradecer a todos que foram na primeira apresentação da Quinta Lei no encerramento da I Semana de Jornalismo da UFSJ. Agradecer ao Professor Paulo Caetano que emprestou equipamentos, ao Bruno que emprestou o estúdio pra gente poder ensaiar, ao Ronan pelo ótimo acompanhamento na percussão e também a todo pessoal da 5° Cultural que nos deu essa oportunidade.
Que venha a cultura de 5° dia 4/12/10, vamo ta lá no CTAN pra encerrar o período!
É FESTA! xD
Valeu Pedrinho, Léo e João!
QUINTA LEI!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Ele abriu os olhos e ela sorriu.
Quando roía a unha fechava os olhos, talvez com o objetivo de sentir melhor onde mordia. Nem ele mesmo na verdade entendia esse ato, mas vivia fazendo-o. Fechava os olhos quando gostava muito de uma música, tanto quando ouvia no rádio ou quando tocava no violão. Fechava os olhos quando beijava e quando sonhava, odiava sonhar de olhos abertos mesmo quando sonhava acordado. Fechava os olhos quando queria sentir seu amor, e a amava, amava muito, chegava ao ponto de ver de olhos fechados suas mãos escorrendo pela pele dela e os dedos deixarem rastros azuis de energia. Fechava os olhos também nessa época por causa da luz forte, não conseguia olhar por muito tempo diretamente, tinha medo de machucar sua pequenez, medo de acabar com sua escuridão. No entanto amava ver de costas pra ela, via sua própria sombra escura e todo o resto que ela iluminava, aprendia ali calado de costas pro pedaço de lua. Quando ela se foi, fechou os olhos pra conseguir andar no escuro, pois assim lembrava e sentia melhor o caminho e os obstáculos. Por algum tempo viveu assim de olhos fechados e quando teve coragem de abrir os olhos viu que ainda havia cor, havia luz mas não tão forte que não pudesse olhar, e viu que podia agora ver o pedaço de lua de longe e diretamente, inteiro e sem sombras. Ficou feliz por poder vê-la e mais feliz de vê-la feliz, porque agora ela também pode vê-lo de olhos abertos e por inteiro. Há pouco tempo seguem assim, de longe, sorrindo e amarelo-coloridos.
E tudo que ele tem vontade de dizer quando a vê lá no alto é:
_ Obrigado Lua.
E tudo que ele tem vontade de dizer quando a vê lá no alto é:
_ Obrigado Lua.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
.
"O ar estava saturado de grandes palavras e Fleischman pensava que o amor tem apenas um critério: a morte. No fim o verdadeiro amor existe a morte, e só o amor no fim do qual existe a morte é amor."
Trecho do livro Risíveis Amores de Milan Kundera.
Trecho do livro Risíveis Amores de Milan Kundera.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Marie
Ela era jovem e bonita, sempre sorrindo e atraindo as pessoas pra perto.
Ela queria um namorado, queria amar outra vez, sentir outra vez, deitar-se nessa aventura novamente.
Todos sabiam disso, todos viam isso no seu sorriso e no seu olhar, o que ninguém sabia é que ela não gostava da mistura do salgado com o doce.
Ela não comia banana junto com a comida na hora do almoço, não suportava passas no arroz, odiava salpicão e Romeu e Julieta.
Não suportava também os dias mais ou menos, preferia que fossem ruins a mais ou menos.
Ela gostava dos sabores da vida, mas tudo seletivamente.
Gostava da dor, pois podia aprender com ela e saber a diferença dela com a felicidade.
Gostava do dia pelo fato de saber que uma hora conheceria a noite.
Mas odiava as tardes, manhãs e lusco-fusco.
Não gostava de verde pois era ele a mistura de azul com amarelo, mas amava o azul e o amarelo.
Gostava da velocidade e da super lentidão.
Gostava de atenção.
Gostava de ver e ouvir, mas gostava de ouvir no escuro e ver no silêncio.
Só não gostava de não gostar de uma coisa, dos sonhos, queria gostar deles...
Mas ela não suportava mistura de dormir e estar acordado ao mesmo tempo.
Gostava do passado e do futuro, mas odiava o presente, porque odiava saber que nunca iria saber onde ele começa e onde ele termina.
Ela queria um namorado, queria amar outra vez, sentir outra vez, deitar-se nessa aventura novamente.
Todos sabiam disso, todos viam isso no seu sorriso e no seu olhar, o que ninguém sabia é que ela não gostava da mistura do salgado com o doce.
Ela não comia banana junto com a comida na hora do almoço, não suportava passas no arroz, odiava salpicão e Romeu e Julieta.
Não suportava também os dias mais ou menos, preferia que fossem ruins a mais ou menos.
Ela gostava dos sabores da vida, mas tudo seletivamente.
Gostava da dor, pois podia aprender com ela e saber a diferença dela com a felicidade.
Gostava do dia pelo fato de saber que uma hora conheceria a noite.
Mas odiava as tardes, manhãs e lusco-fusco.
Não gostava de verde pois era ele a mistura de azul com amarelo, mas amava o azul e o amarelo.
Gostava da velocidade e da super lentidão.
Gostava de atenção.
Gostava de ver e ouvir, mas gostava de ouvir no escuro e ver no silêncio.
Só não gostava de não gostar de uma coisa, dos sonhos, queria gostar deles...
Mas ela não suportava mistura de dormir e estar acordado ao mesmo tempo.
Gostava do passado e do futuro, mas odiava o presente, porque odiava saber que nunca iria saber onde ele começa e onde ele termina.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Zac & Tim - Viagem
Estava sentado no ônibus lendo seu livro. Tinha resolvido viajar para o interior para procurar algo que não sabia, o ônibus estava passando por ruas escuras de alguma cidade pequenina dali.
Avistou o pequenino terminal rodoviário daquele lugar, tão pequenino que havia somente duas vagas pra ônibus e mais ou menos meia dúzia de cadeiras enfileiradas para os passageiros. Havia várias garotas ali, eram um pouco novas, mas bem bonitas, o grupo era grande e havia também alguns meninos com elas, pareciam voltar de alguma festa e esperavam o ônibus que Zac estava para poder seguir para a próxima cidade. Ele inclinou um pouco sua poltrona e deixou o livro à vista de qualquer um na intenção de atrair alguma das garotas que interessasse pelo livro, pensou em encontrar alguma Teresa pra si.
As garotas e os meninos foram se ajeitando cada um em seu lugar, Zac torcia para que nenhum daqueles meninos sentasse ao seu lado, para que assim sobrasse espaço para sua Teresa, todos se sentaram, a poltrona ao lado dele continuou vazia e o ônibus seguiu viagem. Como a tentativa falhou voltou a ler seu livro agora sem pensar na possibilidade de encontrar sua Teresa, olhou o céu e viu a lua crescente parecendo um sorriso amarelo próximo ao horizonte, foi nesse momento que uma das garotas sentou ao seu lado, diversos pensamentos vieram e ao fundo o som de "Eletro-Funk" dos MP4 Player sem fone daqueles meninos o irritava.
A garota era linda, cabelos negros muito lisos, pele clara, olhos brilhantes e um pequenino piercing no nariz, resolveu partir para ofensiva:
_ Qual cidade essa que acabamos de deixar? - perguntou ele.
Ela respondeu alguma coisa que ele não entendeu e perguntou.
_ De onde você é?
Pensou em várias cidades, mas a única que lhe veio à mente foi: _ São Tomás.
A menina olhou com uma cara de interrogação por não conhecer a cidade e logo depois olhou o óculos preso a gola da camisa dele. E quando ele tentou explicar algo, ela deu um grande suspiro como aqueles de quando lembramos de algo que esquecemos em casa e voltou-se para uma outra garota no banco de trás dizendo:
_ Frávia perdi o "Ráibam" do Bruno.
_ Como assim perdeu? - a garota perguntou.
E a menina de olhos brilhantes respondeu.
_ Num sei, acho que foi na hora que comecei a correr na bicicreta dele, deve ter caído.
_ Pode ser. - disse a outra.
_ Vou ter que comprar outro.
_ É.
Quando a garota voltou Zac tentou pensar em alguma coisa pra dizer, mas não conseguiu, e como ela também não insistiu na conversa o diálogo terminou ali mesmo. Zac pensou em todo o comum uso da indústria cultural sobre essas garotas e meninos, pensou também por quanto tempo eles suportariam todas suas compras, até quando existiria o "Eletro-Funk" em Mp4's sem fone, até quando elas viveriam para homens de cabelo e barba feita com suas orelhas de abano.
Pensou e constatou que de alguma forma sentia que sua Teresa estava por perto, sentada em algum lugar tranqüilo, sob a sombra de uma árvore, lendo um livro qualquer, desacompanhada e em silêncio.
Avistou o pequenino terminal rodoviário daquele lugar, tão pequenino que havia somente duas vagas pra ônibus e mais ou menos meia dúzia de cadeiras enfileiradas para os passageiros. Havia várias garotas ali, eram um pouco novas, mas bem bonitas, o grupo era grande e havia também alguns meninos com elas, pareciam voltar de alguma festa e esperavam o ônibus que Zac estava para poder seguir para a próxima cidade. Ele inclinou um pouco sua poltrona e deixou o livro à vista de qualquer um na intenção de atrair alguma das garotas que interessasse pelo livro, pensou em encontrar alguma Teresa pra si.
As garotas e os meninos foram se ajeitando cada um em seu lugar, Zac torcia para que nenhum daqueles meninos sentasse ao seu lado, para que assim sobrasse espaço para sua Teresa, todos se sentaram, a poltrona ao lado dele continuou vazia e o ônibus seguiu viagem. Como a tentativa falhou voltou a ler seu livro agora sem pensar na possibilidade de encontrar sua Teresa, olhou o céu e viu a lua crescente parecendo um sorriso amarelo próximo ao horizonte, foi nesse momento que uma das garotas sentou ao seu lado, diversos pensamentos vieram e ao fundo o som de "Eletro-Funk" dos MP4 Player sem fone daqueles meninos o irritava.
A garota era linda, cabelos negros muito lisos, pele clara, olhos brilhantes e um pequenino piercing no nariz, resolveu partir para ofensiva:
_ Qual cidade essa que acabamos de deixar? - perguntou ele.
Ela respondeu alguma coisa que ele não entendeu e perguntou.
_ De onde você é?
Pensou em várias cidades, mas a única que lhe veio à mente foi: _ São Tomás.
A menina olhou com uma cara de interrogação por não conhecer a cidade e logo depois olhou o óculos preso a gola da camisa dele. E quando ele tentou explicar algo, ela deu um grande suspiro como aqueles de quando lembramos de algo que esquecemos em casa e voltou-se para uma outra garota no banco de trás dizendo:
_ Frávia perdi o "Ráibam" do Bruno.
_ Como assim perdeu? - a garota perguntou.
E a menina de olhos brilhantes respondeu.
_ Num sei, acho que foi na hora que comecei a correr na bicicreta dele, deve ter caído.
_ Pode ser. - disse a outra.
_ Vou ter que comprar outro.
_ É.
Quando a garota voltou Zac tentou pensar em alguma coisa pra dizer, mas não conseguiu, e como ela também não insistiu na conversa o diálogo terminou ali mesmo. Zac pensou em todo o comum uso da indústria cultural sobre essas garotas e meninos, pensou também por quanto tempo eles suportariam todas suas compras, até quando existiria o "Eletro-Funk" em Mp4's sem fone, até quando elas viveriam para homens de cabelo e barba feita com suas orelhas de abano.
Pensou e constatou que de alguma forma sentia que sua Teresa estava por perto, sentada em algum lugar tranqüilo, sob a sombra de uma árvore, lendo um livro qualquer, desacompanhada e em silêncio.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Zac & Tim - Na Rua
Pegou a câmera antiga, viu alguns negativos antigos, colocou contra luz e viu pequenos vultos do passado. Pensou em revelá-los, mas não tinha mais os produtos e seu laboratório já não era o mesmo, deu preguiça.
Colocou os negativos no bolso e resolveu se aventurar pelas ruas do centro. Tinha muitas pessoas na calçada e ao mesmo tempo parecia não ter ninguém, todos aqueles movimentos automáticos, alguns pares de garotas andando juntas, algumas até bonitas, mas nenhuma lhe despertava verdadeiro interesse. Mulheres gordas com sacolas enormes digladiavam um espaço nas lojas em liquidação. Caminhões carregados de frutas e verduras e homens com grandes sacas aos ombors atrapalhavam o fluxo da calçada. Um senhor com lepra pedia moedas sentado ali mesmo no chão. Uma mulher amamentava sentada num banco da praçinha ali do outro lado da rua. Os cachorros dividiam espaço com tudo isso. Se sentiu em perigo e ao mesmo tempo sadicamente feliz por se achar diferente. Olhou para o lado e leu em um cartaz "Revela-se fotos, digitais e negativos." levou a mão ao bolso, pegou os negativos, escolheu um, pegou o dinheiro e contou, tinha alguns trocados além da quantia para a revelação, pensou em um sorvete e foi o que resolveu fazer.
_ Fica pronto em uma hora - disse a atendente.
Agradeceu, comprou uma casquinha de baunilha e sentou-se na pracinha.
Observou por algum momento os mesmos movimentos incondicionais, ouviu o barulho do trem, deu vontade de viajar, olhou para cima a fim de ver o céu, viu um ipê bem no meio e entrelaçado à duas palmeiras imperiais e ficou ali por um tempo.
Voltou a loja de fotografia e pegou as fotos, as antigas novas fotos, meio amareladas meio esverdeadas, pensou no passado que estava imortalizado ali, as almas ali presas, viu Zac e uma menina, viu outras coisas, só não viu pessoas com movimentos automáticos.
Não viu, mas lembrou que esse dia um velhinho jogava água na frente da casa com uma mangueira de borracha na tentativa de tirar as folhas do outono e dar alguma cor viva para as roseiras.
Voltou-se ao seu mundo e percebeu que o velhinho agora aguara sua vida, viu frutas e verduras tão coloridas nas sacas, viu mulheres gordas felizes, viu pares de garotas lindas, viu um ipê duas palmeiras e um céu.
_ Queria voltar ao passado e agora parece que por um momento vejo tudo meio amarelado meio esverdeado, lindo.
Tim voltou pra casa, pegou os outros negativos no bolso e guardou-os pra se entorpecer outro dia.
Colocou os negativos no bolso e resolveu se aventurar pelas ruas do centro. Tinha muitas pessoas na calçada e ao mesmo tempo parecia não ter ninguém, todos aqueles movimentos automáticos, alguns pares de garotas andando juntas, algumas até bonitas, mas nenhuma lhe despertava verdadeiro interesse. Mulheres gordas com sacolas enormes digladiavam um espaço nas lojas em liquidação. Caminhões carregados de frutas e verduras e homens com grandes sacas aos ombors atrapalhavam o fluxo da calçada. Um senhor com lepra pedia moedas sentado ali mesmo no chão. Uma mulher amamentava sentada num banco da praçinha ali do outro lado da rua. Os cachorros dividiam espaço com tudo isso. Se sentiu em perigo e ao mesmo tempo sadicamente feliz por se achar diferente. Olhou para o lado e leu em um cartaz "Revela-se fotos, digitais e negativos." levou a mão ao bolso, pegou os negativos, escolheu um, pegou o dinheiro e contou, tinha alguns trocados além da quantia para a revelação, pensou em um sorvete e foi o que resolveu fazer.
_ Fica pronto em uma hora - disse a atendente.
Agradeceu, comprou uma casquinha de baunilha e sentou-se na pracinha.
Observou por algum momento os mesmos movimentos incondicionais, ouviu o barulho do trem, deu vontade de viajar, olhou para cima a fim de ver o céu, viu um ipê bem no meio e entrelaçado à duas palmeiras imperiais e ficou ali por um tempo.
Voltou a loja de fotografia e pegou as fotos, as antigas novas fotos, meio amareladas meio esverdeadas, pensou no passado que estava imortalizado ali, as almas ali presas, viu Zac e uma menina, viu outras coisas, só não viu pessoas com movimentos automáticos.
Não viu, mas lembrou que esse dia um velhinho jogava água na frente da casa com uma mangueira de borracha na tentativa de tirar as folhas do outono e dar alguma cor viva para as roseiras.
Voltou-se ao seu mundo e percebeu que o velhinho agora aguara sua vida, viu frutas e verduras tão coloridas nas sacas, viu mulheres gordas felizes, viu pares de garotas lindas, viu um ipê duas palmeiras e um céu.
_ Queria voltar ao passado e agora parece que por um momento vejo tudo meio amarelado meio esverdeado, lindo.
Tim voltou pra casa, pegou os outros negativos no bolso e guardou-os pra se entorpecer outro dia.
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