Estava sentado no ônibus lendo seu livro. Tinha resolvido viajar para o interior para procurar algo que não sabia, o ônibus estava passando por ruas escuras de alguma cidade pequenina dali.
Avistou o pequenino terminal rodoviário daquele lugar, tão pequenino que havia somente duas vagas pra ônibus e mais ou menos meia dúzia de cadeiras enfileiradas para os passageiros. Havia várias garotas ali, eram um pouco novas, mas bem bonitas, o grupo era grande e havia também alguns meninos com elas, pareciam voltar de alguma festa e esperavam o ônibus que Zac estava para poder seguir para a próxima cidade. Ele inclinou um pouco sua poltrona e deixou o livro à vista de qualquer um na intenção de atrair alguma das garotas que interessasse pelo livro, pensou em encontrar alguma Teresa pra si.
As garotas e os meninos foram se ajeitando cada um em seu lugar, Zac torcia para que nenhum daqueles meninos sentasse ao seu lado, para que assim sobrasse espaço para sua Teresa, todos se sentaram, a poltrona ao lado dele continuou vazia e o ônibus seguiu viagem. Como a tentativa falhou voltou a ler seu livro agora sem pensar na possibilidade de encontrar sua Teresa, olhou o céu e viu a lua crescente parecendo um sorriso amarelo próximo ao horizonte, foi nesse momento que uma das garotas sentou ao seu lado, diversos pensamentos vieram e ao fundo o som de "Eletro-Funk" dos MP4 Player sem fone daqueles meninos o irritava.
A garota era linda, cabelos negros muito lisos, pele clara, olhos brilhantes e um pequenino piercing no nariz, resolveu partir para ofensiva:
_ Qual cidade essa que acabamos de deixar? - perguntou ele.
Ela respondeu alguma coisa que ele não entendeu e perguntou.
_ De onde você é?
Pensou em várias cidades, mas a única que lhe veio à mente foi: _ São Tomás.
A menina olhou com uma cara de interrogação por não conhecer a cidade e logo depois olhou o óculos preso a gola da camisa dele. E quando ele tentou explicar algo, ela deu um grande suspiro como aqueles de quando lembramos de algo que esquecemos em casa e voltou-se para uma outra garota no banco de trás dizendo:
_ Frávia perdi o "Ráibam" do Bruno.
_ Como assim perdeu? - a garota perguntou.
E a menina de olhos brilhantes respondeu.
_ Num sei, acho que foi na hora que comecei a correr na bicicreta dele, deve ter caído.
_ Pode ser. - disse a outra.
_ Vou ter que comprar outro.
_ É.
Quando a garota voltou Zac tentou pensar em alguma coisa pra dizer, mas não conseguiu, e como ela também não insistiu na conversa o diálogo terminou ali mesmo. Zac pensou em todo o comum uso da indústria cultural sobre essas garotas e meninos, pensou também por quanto tempo eles suportariam todas suas compras, até quando existiria o "Eletro-Funk" em Mp4's sem fone, até quando elas viveriam para homens de cabelo e barba feita com suas orelhas de abano.
Pensou e constatou que de alguma forma sentia que sua Teresa estava por perto, sentada em algum lugar tranqüilo, sob a sombra de uma árvore, lendo um livro qualquer, desacompanhada e em silêncio.
Seletivamente, a gente não encontra em um sorriso a capacidade de amar.
ResponderExcluirAcabamos a encontrando em um adeus inesperado de alguém que nem partiu, mas resolveu estabelecer essa distância confortável entre o eu e o outro.
No final, estamos sempre na mesma espera desse sorriso e nem ligamos pro adeus. Sendo que deveria ser o contrário completo.
Não sei se entende, mas alguém - um dia - sob a sombra de uma árvore, lendo um livro qualquer, desacompanhada e em silêncio, entendeu.