quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O que o meu pai quer ser quando eu crescer

Hoje eu acordei vaqueiro, montanheiro, lenhador,
Quis morar na roça, só eu e a moça
Lá não teria carro, nem barulho, nem dor
E teria uma porção de galinhas, fogão a lenha
Pato, cachorro, vaca, cavalo, passarinho de tudo quanto é cor
Lá eu plantaria e comeria, teria leite fresco, água e vento
Não precisaria de nada dessas coisas, dinheiro, rancor

E as minhas preocupações seriam preocupações de caipira
A enxada desafiada, o barracão que precisa de conserto
A lenha que tem pra cortar, os animais, a porteira que não vira

No fim de semana barriga pra cima, cigarro de palha
Violão, fogueira, gente, comida, truco, preguiça
E sair pra apanhar fruta, laranja ou manga, e descascar na navalha

Hoje eu quis ser o que o meu pai quer ser o tempo todo
Tudo que eu sonhei era eu e ele no pé de uma montanha
Talvez ele me falaria mais sobre árvores
Animais, frutas, causos, plantas medicinais
Talvez ele nem falasse nada...


Mas nem precisava.

2 comentários: