Se conseguires olhar por trás destas janelas com hastes de madeira
Ou essas paredes dessas casinhas se aquecendo, todas juntinhas
Com tijolos de barro datados de antes da nossa ideia.
Se puderes relembrar das fotografias plásticas de sujeira urbana
Das torres antigas meio a varais, nuvens e tinta.
Das pessoas que cumprem suas peregrinações matinais,
Em uma sala de ouro e que talvez nem façam ideia do que se passou.
Se um dia conseguires lembrar-se das pedras delicadamente colocadas para as estradas
Ou mesmo das calçadas de dois degraus.
Um dia, em que olhares aquela rua estreita continuar estreita e comprida
E as janelas continuarem a ensinar música às crianças.
Já se passaram vinte anos e nem mesmo nós não conseguiríamos explicar tais sentimentos
Nosso tempo não vai passar de mais uma cicatriz no tempo da cidade
Mas a nossa cicatriz no tempo da cidade é uma tatuagem eterna na alma do todo.
Passaram-se quarenta anos e o vácuo na minha memória não consegue se esquecer
Nem dos Tijolos, nem das Torres, da Cidade, das Janelas, do Som, nem de Você.
O cheiro da manhã misturado com o aroma de café de vó
Um cachorro a sondar um casal sentado na porta daquela casa.
Se um dia conseguires olhar, lembrar-se de tudo isso,
Lembre que tudo isto está imortalizado na alma da cidade assim como Ela está em nós.
Passos no título seria uma cidade no fim do mundo? rsrs
ResponderExcluiros dois estão certos! aeuishieuhishe
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