Vezes as pétalas das palavras me traem as mãos
Suavemente desviam com o vento no meio dos dedos
As perco, não tocam, não são
E esse devaneio me tira o chão
Me sinto mesmo as próprias pétalas sem destino
Acontece que eu falo muito
E a chuva de pétalas vezes deixam de se fazer notar
Tornam-se mero exercício de falar
E nada sou se não chove
Tenho que ser chuva torpe, sem medo
Eu não gosto do que sinto
O gosto do cheiro que impregna meu corpo
Inscrito e privilegiado que fede o sofrer de quem não
Mas sou, e existo, insisto que não devo ser, mas sou
E nesse corpo é que tenho que mudar
E eu gosto tanto do que sinto
Essa unha felina que rasga meu peito
Deixa a mostra o que eu mais receio e o que mais anseio
Derruba tijolo por tijolo a fortaleza que me rodeia
Eu sou do que sobra o que você semeia
E derrubar também te derruba
Te açoita interna os meus tijolos, que não são culpa sua
E fura agora o peito mirar esses olhos falantes
Que pra cada dez lágrimas que segura
Chora uma